80% dos fundos de renda fixa perderam para o CDI no 1ºT. O que está acontecendo?

 | 28.04.2023 09:43

Um novo estudo realizado pelo núcleo de research da Portfel chegou a uma conclusão surpreendente: 80% dos fundos de renda fixa perderam para o CDI ao considerarmos o 1º trimestre de 2023.

Do grupo de 409 fundos de renda fixa, que excluem aqueles focados em títulos de inflação, apenas 79 superaram o CDI nos três primeiros meses de 2023. Isso equivale a cerca de 19,32% do total, com os demais 80,68% perdendo para o índice que representa o retorno “sem risco” do mercado de crédito brasileiro.

A esmagadora maioria dos fundos levantados ficou com um percentual inferior aos 3,20% obtidos pelo CDI nesse primeiro trimestre, encerrado em 31 de março de 2023. A média do grupo ficou na casa dos 2,76%. Contudo, entre as piores colocações, há inclusive fundos com rendimento negativo no ano, com o pior deles amargando -0,88%. Fundos de grandes bancos e corretoras chegaram a render, em três meses, menos que os 1,17% que o CDI entrega por mês.

Embora esses dados chamem bastante a atenção, é importante notar que eles estão em linha com a performance do principal indicador de crédito privado do Brasil, o Índice de Debêntures Anbima DI (IDA-DI). Para facilitar, podemos dizer que o IDA-DI é como se fosse o CDI do mercado de crédito privado, refletindo de forma muito fiel o quanto esse mercado produziu de retorno.

Para se ter uma ideia, em 2023 esse índice acumula um retorno de 0,16% ou 5% do CDI, e isso porque estava com rendimento negativo até o dia 29 de março — ou seja, com dois dias faltando para o encerramento do trimestre. Isso é algo bem fora do comum ao considerarmos que, desde que foi lançado, em 2013, o IDA-DI costuma gerar um retorno anualizado de 117% do CDI — em linha com o risco maior de lidar com títulos privados.