Commodities Nesta Semana: Sauditas Elevam Preços do Petróleo; Ouro Aguarda Fed

Commodities Nesta Semana: Sauditas Elevam Preços do Petróleo; Ouro Aguarda Fed

Investing.com  | 08.06.2020 08:58

Com o barril de petróleo a US$ 40, teoricamente apenas metade do orçamento da Arábia Saudita seria financiado por sua produção, o que não bastaria para o reino. Por isso, a Casa de Saud está tomando uma atitude lógica: elevando o preço na ponta, para forçar um prêmio em todo o resto do mercado.

Ao fazer isso, os sauditas estão apostando em duas coisas.

A primeira é que seus clientes – com destaque para a China, maior compradora do óleo saudita – estarão dispostos a pagar um preço mais alto pelo petróleo, à medida que a atividade econômica é retomada, graças à reabertura mundial após os confinamentos gerados pela covid-19.

A segunda é que a produção menor de petróleo leve nos EUA por causa da pandemia permitirá que os sauditas ampliem a participação de mercado do seu óleo Arab Light (SA:LIGT3) na Ásia, apesar de vendê-lo a um preço mais alto. As vendas dessa fração petrolífera à Ásia respondem por mais da metade de todas as exportações de petróleo do país árabe.

WTI Crude Futures Daily Chart

Razões para a mudança de posição saudita

Também existem outras razões para a mudança de posição saudita. Uma foi a reunião da Opep no sábado, liderada pelo reino, que prorrogou o compromisso do grupo de cortar 9,7 milhões de barris por dia (bpd) da oferta mundial até julho. Além disso, pela primeira vez em anos, a reunião ocorreu sem dissensão em relação à liderança saudita, apesar de Riad repreender os “trapaceadores” das cotas de produção dentro do grupo.

Com tudo isso, Riad quer obter preços ainda mais altos, ao tentar fazer o petróleo alcançar US$ 50 por barril ou o valor mais próximo da marca de US$ 80, necessários para equilibrar seu orçamento. Pode ser que eles continuem obtendo avanços com o Brent, referência mundial do petróleo.

Daily Brent Crude Futures Chart

Mas, no WTI norte-americano, a história pode ser diferente.

Vamos tratar da dinâmica do petróleo nos EUA mais adiante, explicando por que ele desafia o plano saudita. Mas, primeiro, vamos explorar a audaciosa decisão de Riad de elevar os preços de venda oficiais do seu Arab Light e por que os sauditas estão tão confiantes de seguir nessa direção, apenas algumas semanas depois do relaxamento dos lockdowns ao redor do mundo.

“Com a demanda petrolífera da China subindo neste momento, os sauditas passaram a aumentar os preços", declarou a Bloomberg no fim de semana.

“Clientes nos EUA, na região do mediterrâneo e no noroeste da Europa também pagarão mais pelo óleo”.

Novo preço de venda saudita por influenciar o Brent

Ao analisar o novo preço oficial de venda do Arab Light, a Bloomberg informou que o valor de julho do produto destinado à Ásia estava US$ 6,10 acima da cotação de junho, o que corresponde ao maior aumento em pelo menos 20 anos.

Riad também elevou os preços asiáticos de outras frações entre US$ 5,60 e US$ 7,30 por barril. A Bloomberg conversou com oito operadores, e a expectativa das refinarias era de um aumento de cerca de US$ 4 por barril. As novas taxas devem guiar os preços do Brent nesta semana.

WTI tem problemas maiores

O West Texas Intermediate, no entanto, tem problemas maiores.

A produção petrolífera nos Estados Unidos está a um pouco menos de 2 milhões de bpd das máximas recordes de 13,1 milhões de bpd registradas em meados de março. Isso é bom. E o mercado de trabalho norte-americano apresentou uma alta totalmente inesperada de 2,5 milhões de empregos em maio. Esse é um duplo fator positivo.

Mas existem diversos outros fatores negativos para o petróleo americano. Para citar um, as exportações estão caindo e somaram 2,8 milhões de bpd na semana passada, ante o recorde de US$ 3,6 milhões em dezembro. A contagem semanal de sondas nos EUA, um indicador da produção futura fornecido pela empresa Baker Hughes, sofreu um queda de apenas 16 unidades na semana passada, depois de reduções de mais de 60 sondas durante determinados períodos de março e abril, quando ocorreu o pico do derretimento do mercado por causa do coronavírus.

E embora a Administração de Informações Energéticas (EIA, na sigla em inglês) tenha registrado uma retirada de 2,1 milhões de barris dos estoques petrolíferos, trata-se de um ajuste em relação aos 4 milhões de barris que saíram do estoque comercial e foram para a Reserva Petrolífera Estratégica (SPR, em inglês). Na verdade, os estoques de petróleo (comercial + SPR) tiveram uma alta de 1,9 milhão de barris.

Fraca demanda de combustíveis nos EUA

Enquanto isso, a fraca demanda de combustíveis nos EUA persiste. A entrada de petróleo nas refinarias americanas teve um aumento de 316.000 bpd, para 13,3 milhões de bpd na semana passada. Mas ainda está 23% abaixou (ou 3,87 milhões de bpd) da média anterior de três anos para o período. A máxima de nove semanas nas operações das refinarias durante a semana passada foi muito bem-vinda. Mas a verdade é que as refinarias ainda estão aproveitando o petróleo americano e saudita adquirido a preços reduzidos em março e abril. As atuais margens de refino apontam para uma fraqueza sustentada nas operações das refinarias nas próximas semanas.

Para um detalhamento maior do refino, a margem de fracionamento 3-2-1 com base no Brent é de atualmente US$ 7,61 por barril, uma queda de US$ 4,09, ou 35%, em relação aos níveis do ano passado. Apesar de o fracionamento 3-2-1 do WTI parecer melhor, a US$ 10,46 por barril, ainda está 50% abaixo de onde estava neste mesmo período do ano passado. Passando para os dados dos combustíveis, a margem de refino da gasolina RBOB é de cerca de US$ 11,30 por barril, uma queda de 42% no ano. A margem do diesel Ultra Low Sulfur gira em torno de US$ 8,80, uma queda de 62% em 2020.

Agora vamos tratar do total de produtos fornecidos. A medição de demanda de produtos refinados feita pela EIA afundou 892.000 de bpd na semana passada até o feriado de Memorial Day – data que dá início extraoficialmente à demanda automotiva de verão, que acabou sendo minguada neste ano, por motivos óbvios. Embora os produtos fornecidos para gasolina tenham subido 4% no período, a demanda implícita de combustível de aviação caiu 55%, e a de óleo combustível destilado, 17%. E a culpa não é apenas da fraca demanda doméstica dos produtos. As exportações de gasolina continuam 61% abaixo dos níveis do ano passado, enquanto as de óleo combustível seguem 50% abaixo na comparação anual.

“A fraca demanda de produtos, combinada com uma alta nas operações das refinarias, ajuda a explicar como os estoques totais de petróleo e derivados tiveram uma disparada de 15,14 milhões de barris na semana passada”, afirmou Dominick Chirichella, do Instituto de Gestão Energética, em Nova York, que compartilhou grande parte desses dados com o Investing.com.

“Foi a maior alta semanal de estoques combinados de petróleo e derivados comerciais desde a semana encerrada em 1 de maio”.

Recuperação da gasolina será essencial para o petróleo americano

Chirichella ressalta que a recuperação da demanda de gasolina será essencial para elevar as margens das refinarias e os preços do petróleo nos próximos meses.

O analista complementou:

“Como os preços dos produtos derivados não acompanharam a alta do petróleo nas últimas semanas, esse rali no petróleo não conseguirá se manter sem uma forte recuperação da demanda daqueles derivados (...). A demanda de diesel e combustível de aviação deve acompanhar a alta da gasolina se houver um repique sustentando nas operações das refinarias e dos preços do petróleo”.

Os estoques de destilados divulgados pela EIA estão em seus patamares mais altos desde setembro de 2010 e subiram cerca de 42 milhões de barris, ou 32%, ante a média dos três anos anteriores para o período.

Os preços do WTI, por outro lado, parecem totalmente desconectados desses números. Desde o fundo de 28 de abril a US$ 10,07, a referência do petróleo americano registrou ganhos astronômicos de 300%.

Já o Brent, que apresenta fundamentos relativamente melhores, valorizou-se cerca de 170% desde a mínima de 11 anos de 22 de abril a US$ 15,98.

Concordo com Chirichella. Para quem está comprado em WTI, desejo boa sorte ao seguir com o rali. Realmente gostaria de ver até onde os preços vão.

Ouro deve ficar na faixa de US$ 1.650 a 1.690 nesta semana

No caso do ouro, tudo depende em parte do que o Federal Reserve decidir sobre a política monetária em sua reunião mensal nesta semana e do que Jay Powell, presidente do banco central americano, disser durante sua coletiva logo em seguida. Embora seja sempre arriscado tentar adivinhar o que o Fed fará, acredito que podemos dizer que não ouviremos da boca do presidente do Fed nada em relação a juros negativos. Não que essa sempre tenha sido a situação antes e que não devemos esperar que aconteça depois da surpreendente alta de empregos nos EUA em maio.

Daily Gold Futures Chart

Diante de tudo isso, como fica o ouro, já que praticamente todos os investidores, de Wall Street à COMEX, apostaram no risco em vez da segurança?

Tanto os futuros do ouro quanto o preço spot estavam tentando encontrar suporte na segunda-feira depois da queda de 2,5% na sexta, abaixo do importante patamar US$ 1.700. Acredito que o metal ficará preso na faixa de US$ 1.650 a 1.690 nesta semana.

Boa semana a todos e se cuidem.

Aviso de isenção: Barani Krishnan não possui posições nos ativos sobre os quais escreve.

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