Copom Corta Taxa Selic Para 6% e Dólar Pode Disparar Com Fala de Powell

Copom Corta Taxa Selic Para 6% e Dólar Pode Disparar Com Fala de Powell

Fabio Louzada  | 01.08.2019 05:49

Bom dia Investidores,

Ontem o Ibovespa caiu 1,09%, fechando aos 101.812 pontos, com um giro financeiro forte de R$ 19 bilhões.

Ontem o dia foi de decisão importante para a política monetária global, como vimos no Acorda Mercado de ontem, a tendência era um corte de 0,25 ponto percentual nos EUA e um corte de 0,50 ponto percentual no Brasil. E foi o que de fato aconteceu, o que o mercado não esperava era a declaração de Powell, presidente do FED, de que esse corte de juros não era o início de um ciclo, mas sim um ajuste de segurança.

O mercado operava no aguardo da decisão do FED, que aconteceu às 15 horas. Após a decisão de cortar os juros para o intervalo de 2,00% e 2,25%, o mercado se assustou com Powell, inclusive no Brasil, temendo que a declaração do presidente do FED pudesse influenciar na decisão de cortar os juros às 18 horas. Como a maioria dos analistas estavam prevendo um corte de 0,50 ponto percentual, alguns recuaram pois com os EUA cortando menos juros, abriria menos espaço para corte de juros no Brasil, fazendo com que o Copom cortasse apenas 0,25 pp. E assim terminou o pregão, esperando a decisão do Copom.

Ás 18 horas, saiu a decisão de cortar de 0,50pp, derrubando a taxa Selic de 6,5% para 6%. Dessa forma, o mercado hoje deve abrir com alguns gaps. Quando falamos “gaps” no mercado, quer dizer que o preço no início de pregão começa bastante descasado em relação ao preço do dia anterior. Por exemplo, uma ação fechou o dia valendo R$ 35,00, durante a noite saiu algo positivo sobre a empresa e no outro dia ela já abriu em R$ 36,00, ou seja, com um gap de R$ 1.

Esse gap devemos ver no dólar, que deve disparar na combinação de um FED mais hawkish e um Copom mais dovish. Quer dizer que como o Brasil agora pagará menos taxas de juros, ou seja, vai remunerar os investidores com taxas mais baixas, a tendência é que entre menos capital para o Brasil, inclusive, pode sair dinheiro, já que investidores podem ir atrás de juros maiores em outros países emergentes, com isso o real deve se desvalorizar.

Porém, a economia agradece esse corte, pois foi um incentivo grande que o BC deu ao Brasil para se recuperar, com os juros mais baixos a tendência é que as empresas invistam mais, comprem mais estoques, contratem mais e por consequência a taxa de desemprego cai e o PIB aumenta. É claro que ajudaria mais sem a mensagem mais conservador do presidente do FED, porém ele mesmo já voltou atrás e disse que não foi bem isso o que ele disse e que o mercado acabou não interpretando direito.

Fato é que os juros baixos no Brasil vieram em boa hora, e juntamente com a reforma da previdência, a reforma tributária e as privatizações, podem colocar o Brasil no trilho do crescimento novamente, agora depende de nós, o que pode não ser bom se considerarmos nosso histórico.

Apesar da queda do Ibovespa nos últimos dias do mês, o índice ainda ficou positivo em julho, com alta de 0,84%.

Ontem após o fechamento também tivemos a divulgação do resultado de Vale (VALE3 (SA:VALE3)) que decepcionou ainda sofrendo bastante com a tragédia em Brumadinho. O total provisionado com a tragédia já ultrapassou US$ 6 bilhões desde janeiro. A espera do balanço, as ações recuaram 0,40%.

Já a Petrobras (SA:PETR4) irá divulgar o balanço hoje à noite, a expectativa não é tão boa, o que pode ser bom para o investidor, pois se superar as expectativas a ação deve subir. Ontem as ações recuaram 0,61%.

Os bancos que seguem sua trajetória de queda, com Itaú (SA:ITUB4) caindo 2,66%, Bradesco (SA:BBDC4) caindo 2,54%, Santander (SA:SANB11) caindo 2,06% e Banco do Brasil (SA:BBAS3) caindo 1,44%. A exceção foi o Banco Inter (SA:BIDI4) subindo 4,44%. Caixa, BB e Itaú já anunciaram que vão repassar o corte integral da Selic para as taxas de juros.

As maiores altas de ontem foram da Smiles (SA:SMLS3) subindo 4,31%, Lojas Americanas (SA:LAME4) subindo 4,13% e B2W (BTOW3 (SA:BTOW3)) subindo 3,12%. Essas duas últimas, comunicaram que concluíram os estudos para um aplicativo em parceria.

O dólar subiu 0,75% e fechou em R$ 3,81, porém deve subir mais hoje por conta do corte de juros. Já o euro caiu 1,02%, fechando em R$ 4,19.

Os DIs subiram no final do pregão, por conta da declaração de Powell, gerando expectativa para a reunião do Copom. O DI jan 2021 subiu de 5,42% para 5,50%, enquanto o DI Jan 2025 subiu de 6,84% para 6,90%. Esse movimento deve ser revertido hoje.

Na agenda hoje teremos o IPC-S às 8h, os dados de produção industrial em junho às 9h e às 15 horas os dados da balança comercial. No calendário de balanços teremos Gol (SA:GOLL4) antes do pregão e Localiza (SA:RENT3) após o pregão, além da já citada Petrobrás.

Indo para os Estados Unidos, as bolsas sofreram com a declaração de Powell. O Dow Jones caiu 1,23%, O S&P500 caiu 1,09% e o Nasdaq caiu 1,19%.

O mercado aguardava um declaração mais dovish, ou seja, uma continuação no ciclo de corte de juros. Por isso foi pego de surpresa com Powell dizendo que seria apenas um ajuste e não o início de um ciclo. Com isso, o dólar se valorizou forte frente as principais moedas do mundo e as taxas de juros futuras subiram.

Na agenda por lá teremos o PMI industrial de julho às 10h45 e a atividade industrial medida pelo ISM, às 11h. No calendário de balanços teremos GM e Shell antes do pregão.

Indo para a Europa, as bolsas abriram em direções mistas, com Frankfurt caindo 0,03%, Paris subindo 0,41%, Madri subindo 0,38% e Londres recuando 0,22%. Por lá teremos a decisão de política monetária do BoE, Banco Central da Inglaterra, além do PMI industrial na zona do euro.

Na Ásia as bolsas fecharam em queda, com Shanghai caindo 0,81%, Hong Kong caindo 0,72% e Seul caindo 0,36%. A exceção foi Tóquio subindo 0,09%. Hoje saiu o PMI industrial da China e do Japão que permaneceram abaixo dos 50 pontos.

O preço do barril de petróleo fechou mais um dia em alta, com a queda nos estoques, ou seja, menor oferta da commodity. Com isso o WTI subiu 0,91% e fechou em US$ 58,08 e o Brent subiu 0,65% e fechou em US$ 65,05.

O contrato de ouro OZ1D recuou 0,61%. Já as criptomoedas estão em direções mistas nas últimas 24 horas, com o bitcoin subindo 2,29%, a ethereum subindo 0,62% e a ripple recuando 1,42%.

Para finalizar o IFIX subiu 0,35%, tendo como principal destaque o FII TRX Edifícios Corporativos(SA:XTED11) subindo 5,47%. Ótima quinta e bons negócios!

Por Fabio Louzada – Eu me banco!

Analista de Valores Mobiliários (CNPI nº 1888)

Acorda Mercado – Ano II, Edição 221

Copom corta taxa Selic para 6% e dólar pode disparar com fala de Powell | Acorda Mercado 01/08

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