Dólar Norte-americano Ignora Reforma Tributária da Câmara; Senado na Sequência

Dólar Norte-americano Ignora Reforma Tributária da Câmara; Senado na Sequência

Kathy Lien  | 16.11.2017 17:30

Por Kathy Lien, Diretora Administrativa de Estratégia de Câmbio da BK Asset Management.

A quinta-feira foi um dia irregular para o dólar norte-americano, que foi negociado em leve alta frente ao iene japonês e ao euro, mas ficou em baixa frente à libra e aos dólares do Canadá e da Austrália. Conforme esperado, a Câmara votou e aprovou sua versão do projeto de lei de reforma tributária. Isso desencadeou um rali nominal na moeda dos EUA porque embora seja uma boa notícia, todo mundo sabe que o verdadeiro obstáculo está no Senado. A Comissão de Finanças do Senado inicialmente havia planejado votar sua versão do projeto nesta semana, mas mudanças de última hora causaram rixas significativas entre republicanos e democratas. Os senadores Ron Johnson e Susan Collins foram os primeiros republicanos a ficarem contra o projeto de lei do Senado, o que seria um sério problema porque o GOP não pode mercar mais dois votos uma vez que possuem maioria de apenas 52 contra 48 no Senado e nenhum democrata está disposto a apoiar o projeto. Além disso, o Senado e a Câmara ainda têm que ajustar seus projetos antes que sejam combinados em um plano final que será votado nas duas casas do Cogresso. Dessa forma, ainda há um longo caminho antes que o presidente Trump sancione a reforma tributária como lei, especialmente se os republicanos continuarem a tentar atacar a Lei de Serviços de Saúde Acessíveis. Os desafios pela frente explicam o rali hesitante do dólar norte-americano mesmo com elevação nas taxas de juros dos EUA. Os relatórios econômicos do país divulgados na manhã de quinta-feira foram todos mais fracos do que o esperado com pedidos de seguro-desemprego subindo, atividade industrial na região de Filadélfia desacelerando e crescimento nos preços de bens importados e exportados em ritmo mais calmo. Em outras palavras, atividade industrial, inflação e o mercado de trabalho se deterioraram no período recente, enfraquecendo a situação para orientação inequivocamente hawkish na reunião do Fed no mês que vem. Ouvimos alguns presidentes do Fed nesta quinta-feira e os comentários de Kaplan e Mester sugerem que eles irão apoiar um aumento no fim do ano.

O euro encerrou o dia em ligeira baixa frente ao dólar norte-americano. Esperávamos que o par ampliasse as perdas após a forte reversão intradiária de quarta-feira — o que aconteceu — mas a operação de venda encontrou sustentação acima de 1,1750. Uma desaceleração no crescimento dos preços ao consumidor em outubro contribuiu para a fraqueza inicial, mas a queda do USD evitou maiores perdas para o euro. Tendo isso em mente, o par ainda parece fraco em uma base técnica e com o BCE mantendo a política estável pelos próximos 6 a 8 meses e o Fed continuando a falar sobre aperto, ainda acreditamos que o par EUR/USD se dirige para baixo. Na manhã de quinta-feira, Mersch, membro do BCE, afirmou que a zona do euro ainda precisa de estímulo monetário e não hesitaria em agir caso necessário, já que seu conjunto de ferramentas não se limita a compras de ativos. Praet, outro membro do BCE, concordou que banco central precisa ser paciente e persistente em termos de política monetária uma vez que a inflação está moderada apesar dos sinais de crescimento. Os números de transações correntes da zona do euro, a serem divulgados nesta sexta-feira, não deverão ter impacto significativo sobre o euro.

A libra, por outro lado, foi uma grande aposta na sessão de negociações na América do Norte. As vendas no varejo cresceram 0,3% em outubro, o que não é muito, especialmente ao se considerar que os gastos cresceram apenas 0,1% excluindo compras de combustíveis para automóveis. Entretanto, investidores ficaram aliviados que os gastos não diminuíram pelo segundo mês seguido. Contudo, as carteiras no Reino Unido estão sendo apertadas pela inflação mais rápida e o crescimento dos salários mais lentos, criando preocupações de que a temporada de compras desse ano possa ser excepcionalmente fraca. Alguns membros do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) se pronunciaram nesta quinta-feira e o mais importante é que não disseram nada particularmente danoso à libra. O presidente Carney falou principalmente sobre o Brexit e como a economia teria se saído melhor sem o divórcio. Broadbent afirmou que o banco central estava certo em elevar as taxas de juros neste mês porque a inflação está acima da meta e a diminuição da capacidade ociosa significa que há um risco de alta. Cunliffe, por outro lado, acredita que as pressões de preço permanecem baixas e há um risco maior de que fiquem abaixo das expectativas do que acima. Como muitos membros do BoE, ele quer sinais claros de crescimento dos salários antes de endurecer novamente. Apesar do calendário econômico agitado, cheio de eventos mobilizadores do mercado, o par GBP/USD não saiu de sua margem estreia de negociação entre 1,3062 e 1,3230 e isso é um sinal de resiliência do par.

Enquanto isso, há muito pouca uniformidade no desempenho das moedas commodities. O dólar canadense era negociado em forte alta, o dólar australiano estava pouco alterado, ao passo que o dólar neozelandês ampliava seu declínio pelo sexto dia seguido. Não há novos acontecimentos no NAFTA e o CAD seguiu a deixa dos rendimentos dos títulos canadenses, que subiram muito na quinta-feira. O spread de rendimento do par USD/CAD era favorável à moeda do Canadá, o que explicava a movimentação da moeda nesta quinta-feira. O dólar canadense estava em jogo nesta sexta-feira com a divulgação dos preços ao consumidor marcada para hoje. Enquanto economistas esperavam crescimento mais lento do IPC, o forte aumento no componente de preço do índice PMI Ivey sugere que os riscos são negativos. Os relatórios de quinta-feira foram melhores do que o esperado com as vendas de manufaturados subindo muito e as compras de títulos financeiros estrangeiros aumentando em setembro. O dólar australiano encontrava sustentação devido aos dados mais fortes sobre o mercado de trabalho. Embora o crescimento total dos empregos tenha ficado abaixo das expectativas, empregos em tempo integral tiveram forte aumento, o que levou a taxa de desemprego a cair para 5,4%, menor nível em 4 anos. Entretanto, o crescimento dos salários estagnou e as expectativas de inflação ao consumidor caíram de modo que o bom relatório de empregos não fará com que o Banco da Reserva da Austrália mude sua posição. O dólar neozelandês foi abalado nesta quinta-feira pela demanda do par AUD/NZD, já que as atenções se voltaram novamente à moeda na noite de quinta-feira com os relatórios do índice do PMI industrial e o do IPP do terceiro trimestre com divulgação marcada. Um número forte é desesperadamente necessário para conter a queda no par NZD/USD.

Kathy Lien

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