Nem China, Nem Fed. Atenção do Mercado é no Irã

Nem China, Nem Fed. Atenção do Mercado é no Irã

Olivia Bulla  | 08.05.2018 08:17

A terça-feira começa agitada no mercado financeiro, com os dados positivos da balança comercial da China em abril dividindo as atenções com o tom discreto do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Mas nem o indicador nem o evento econômico é capaz de definir um rumo para os negócios no exterior, pois é a decisão de Donald Trump em relação ao Irã (15h) que concentra as atenções dos investidores. Logo mais, no Brasil, tem o balanço da Petrobras (SA:PETR4) referente aos três primeiros meses deste ano, agitando o pregão local.

Lá fora, os índices futuros das bolsas de Nova York não exibem uma direção única, após Powell falhar em dar pistas sobre os próximos passos do Fed em relação aos juros norte-americanos. Em discurso nesta manhã, ele tratou de amenizar os riscos às economias emergentes vindos da normalização monetária nos Estados Unidos, que não atrairia, necessariamente, recursos aplicados em outros países de modo desenfreado. Segundo ele, o principal é não haver surpresas na condução do processo.

No entanto, a rupia da Indonésia e a lira turca seguem pressionadas. Nas demais bolsas, a maioria das praças europeias estão no negativo, apesar de uma sessão positiva na Ásia. O destaque no outro lado do mundo ficou com as altas expressivas nas bolsas de Hong Kong (+1,3%) e Xangai (+0,8%), reagindo ao retorno da China ao superávit comercial. Em abril, o saldo das relações comerciais do país com o mundo ficou positivo em US$ 28,78 bilhões, acima da previsão de alta de US$ 27,5 bilhões.

Em termos dolarizados, as exportações chinesas cresceram 12,9% no mês passado, em relação a um ano antes, após recuarem 2,7% em março, ante previsão de alta de 7,5%. Já as importações subiram 21,5%, em base anual, ganhando ritmo frente ao aumento de 14,4% no mês anterior e também ficando acima do esperado (+15,5%). Considerando-se apenas o resultado comercial com os EUA, o superávit chinês cresceu 43,8%, a US$ 22,19 bilhões.

Os dados embalaram os metais básicos, com o cobre sendo cotado no maior nível em mais de uma semana, mas falham em melhorar o sentimento nos mercados, com o dólar e o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-Note) rondando a estabilidade, diante da apreensão quanto à decisão de Trump em relação ao acordo nuclear com o Irã, assinado em 2015. O presidente norte-americano informou ontem, via Twitter, que irá anunciar a decisão hoje, direto da Casa Branca.

E a probabilidade de Washington abandonar o pacto, elevando os riscos geopolíticos, é grande. Em outubro do ano passado, Trump se negou a certificar o acordo, assinado também por China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha. Se manter a postura e deixar o acordo iraniano, será o revés mais significativo dos EUA contra seus aliados, superando a decisão de sair da aliança Trans-Pacífico (TPP) e de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, além das investidas protecionistas.

O petróleo é o principal alvo da ameaça norte-americana de “desmantelar” o acordo nuclear com o Irã, acionando novas sanções contra o país e elevando a tensão no Oriente Médio. O barril do petróleo tipo WTI cai mais de 1% nesta manhã, cotado abaixo da faixa de US$ 70, quando atingiu o maior nível desde 2014. Porém, se os EUA saírem do acordo, a tendência é de redução na oferta global da commodity, diante da maior dificuldade do terceiro maior produtor do cartel da Opep em exportar, o que elevaria os preços do petróleo - provocando mais inflação e, consequentemente, juros mais altos nos EUA.

Na semana passada, a reunião de maio do Fed e os dados sobre o emprego nos EUA (payroll) em abril deixaram dúvidas quanto ao total de altas na taxa de juros norte-americana em 2018. As apostas de quatro aumentos até dezembro perderam força, mas tal chance ainda está longe de ser dissipada. Ainda mais após a fala inócua de Jay hoje.

Agora, o foco dos investidores se concentra nos dados de inflação ao consumidor norte-americano (CPI), na quinta-feira. Os números devem fornecer sinais mais claros sobre o ritmo de alta dos preços no varejo do país e novas indicações de pressões inflacionárias à frente, demandando uma postura mais agressiva (“hawkish”) por parte do Fed.

Até por isso, o dólar mostra vigor em relação às moedas rivais, refletindo o otimismo em relação ao ritmo de crescimento econômico dos EUA - e também a expectativa de ao menos mais duas altas nos juros do país até o fim do ano. Isso significa que a moeda norte-americana mudou de patamar em relação ao real e, dificilmente, voltará a ficar abaixo de R$ 3,30. Por ora, nem mesmo a faixa de R$ 3,50 foi abandonada.

Mas isso tampouco significa que não há espaço para, no mínimo, uma nova queda na taxa básica de juros (Selic) neste mês. Afinal, o cenário da inflação segue benigno, ao passo que a atividade doméstica continua carente de estímulos. Diante disso, qualquer repasse da alta do câmbio nos preços seria menor, por causa da demanda ainda fraca, o que não resultaria em forte pressão inflacionária à frente.

Ainda na agenda econômica do dia, nos EUA, tem o relatório Jolts sobre a oferta de emprego no país e o números de vagas disponíveis em março (11h). No Brasil, às 8h, saem indicadores antecedentes do mercado de trabalho neste mês, a primeira leitura de maio da inflação ao consumidor (IPC-S) e o resultado de abril do IGP-DI. Na safra de balanços, destaque para o resultado trimestral da TIM, após o fechamento do pregão local.

Antes da abertura dos negócios, a Petrobras publica seu demonstrativo contábil no início de 2018, que deve apresentar um desempenho melhor do que o apurado entre janeiro e março de 2017. A previsão é de lucro líquido ao redor de R$ 5 bilhões, refletindo o aumento do barril de petróleo no período e a política de reajuste diário nos preços dos combustíveis.

Olivia Bulla

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