Precisando de Luz? Como a Crise Está Impactando as Companhias do Setor Elétrico

Precisando de Luz? Como a Crise Está Impactando as Companhias do Setor Elétrico

Ernani Reis  | 14.05.2020 12:03

A busca por análises e recomendações de investimentos segue em alta durante a crise. Afinal, quem não gostaria de acertar o melhor momento de entrada ou investir nas ações descontadas de boas empresas?

Mas, diferentemente das crises anteriores, a atual passa pelas esferas da demanda e crédito, atingindo todo o ecossistema produtivo e não apenas setores específicos. E, neste novo cenário, torna-se cada vez mais prudente a cautela e uma boa visão setorial. 

No caso do setor elétrico, você deve estar vendo sua conta de luz aumentar nos últimos meses já que está passando mais tempo em casa, mas isso pode levar a uma conclusão precipitada sobre o faturamento das companhias do setor. Isso porque o consumo de energia do segmento residencial no Brasil representa aproximadamente 30%, enquanto a indústria e o comércio, setores mais afetados pela pandemia, correspondem ao menos a 55% do consumo. 

Além disso, o setor se divide pelo menos em três categorias principais: geração, distribuição e transmissão de energia. Assim, cada companhia está exposta a riscos específicos da sua etapa do processo ou sistêmicos, como a Cemig (SA:CMIG4) e a Copel (SA:CPLE6), que atuam em todas as frentes. 

As geradoras, responsáveis por produzir e vender energia elétrica para as distribuidoras ou por meio do ambiente de contratação livre, podem apresentar problemas no fluxo de caixa neste momento devido ao aumento da inadimplência nas distribuidoras, além da capacidade ociosa e do aumento dos saldos contratados em decorrência da queda na demanda. Nesta categoria estão inseridas companhias como a AES Tietê (TIET4 (SA:TIET4)), a Cesp (CESP6 (SA:CESP6)) e a Engie (SA:EGIE3). 

Já as distribuidoras, responsáveis por levar energia elétrica até os consumidores, são as mais expostas à queda da demanda e ao aumento da inadimplência, efeitos característicos da crise atual. Entre elas estão Energisa (SA:ENGI4), Equatorial (SA:EQTL3), CPFL (CPFE3 (SA:CPFE3)) e Light (SA:LIGT3).

O aumento do desemprego também incentiva indiretamente o furto de energia, o famoso “gato”, e acaba influenciando no faturamento das empresas no período de crise. Nesse cenário, uma das alternativas para as distribuidoras é a venda do excesso de energia comprada das geradoras no mercado de curto prazo a preço spot, que são negócios com pagamentos à vista e pronta-entrega de mercadorias. Porém, normalmente esse tipo de distribuição acaba ficando abaixo do custo de aquisição, servindo apenas para minimizar o prejuízo.

Por este motivo, o governo federal editou a Medida Provisória 950, que visa o auxílio financeiro às empresas por meio de empréstimos que terão os custos repassados aos consumidores nos próximos cinco anos.

Por fim, restam as transmissoras, responsáveis pela construção, operação e manutenção das linhas de transmissão que ligam as geradoras às distribuidoras. Esse é, certamente, o setor menos atingido neste momento, já que a receita é garantida independentemente do volume de energia elétrica trafegado. Nesse caso, o risco fica vinculado ao esgotamento do caixa das distribuidoras. As companhias ISA CTEEP (TRPL4 (SA:TRPL4)), Taesa (SA:TAEE11) (TAEE4 (SA:TAEE4)) e Alupar (SA:ALUP11) (ALUP4 (SA:ALUP4)) fazem parte desta categoria. 

Dito isso, se você está pensando em começar a investir ou já tem uma empresa do setor elétrico na sua carteira de investimentos, é preciso levar em consideração mais do que o preço das respectivas ações na bolsa, mas também analisar a dificuldade que cada categoria do setor terá para superar essa crise, para, por fim, analisar quais empresas têm mais chances de encontrar uma luz no fim do túnel.

Ernani Reis

Artigos Relacionados

Últimos comentários

Adicionar comentário
Aguarde um minuto antes de tentar comentar novamente.
Ivan Serpa
Ivan Serpa

tiet4 vale a pena investir   ... (Leia Mais)

07.08.2020 02:54 GMT· Responder
Rafael Martins
Rafael Martins

show, muito bom  ... (Leia Mais)

05.06.2020 01:08 GMT· Responder
Joao Araujo
Joao Araujo

Vc se engana. A Cesp tem toda produção já comercializada até 2021..   ... (Leia Mais)

02.06.2020 17:58 GMT· Responder
Denilson Menghini
Denilson Menghini

Mto esclarecedor!Parabéns!  ... (Leia Mais)

30.05.2020 21:45 GMT· Responder
Rafael Luiz Leão Bandeira de Moura
Rafael Luiz Leão Bandeira de Moura

Só ressalto que algumas empresas atuam em várias frentes. Tipo CPFL que atua na geração, transmissão e geração. Contudo, no texto você focou na parte de distribuição da empresa. Pode ter sido pela sua maior participação no mercado...?Tirando esse ponto...Parabéns pelo texto!  ... (Leia Mais)

15.05.2020 15:54 GMT· 1 · Responder
Sebástian Zakaluk
Sebástian Zakaluk

Muito bom texto!  ... (Leia Mais)

14.05.2020 19:47 GMT· Responder
Discussão
Escrever uma resposta...
Aguarde um minuto antes de tentar comentar novamente.

Negociar instrumentos financeiros e/ou criptomoedas envolve riscos elevados, inclusive o risco de perder parte ou todo o valor do investimento, e pode não ser algo indicado e apropriado a todos os investidores. Os preços das criptomoedas são extremamente voláteis e podem ser afetados por fatores externos, como eventos financeiros, regulatórios ou políticos. Negociar com margem aumenta os riscos financeiros.
Antes de decidir operar e negociar instrumentos financeiros ou criptomoedas, você deve se informar completamente sobre os riscos e custos associados a operações e negociações nos mercados financeiros, considerar cuidadosamente seus objetivos de investimento, nível de experiência e apetite de risco; além disso, recomenda-se procurar orientação e conselhos profissionais quando necessário.
A Fusion Media gostaria de lembrar que os dados contidos neste site não são necessariamente precisos ou atualizados em tempo real. Os dados e preços disponíveis no site não são necessariamente fornecidos por qualquer mercado ou bolsa de valores, mas sim por market makers e, por isso, os preços podem não ser exatos e podem diferir dos preços reais em qualquer mercado, o que significa que são inapropriados para fins de uso em negociações e operações financeiras. A Fusion Media e quaisquer outros colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo não são responsáveis por quaisquer perdas e danos financeiros ou em negociações sofridas como resultado da utilização das informações contidas neste site.
É proibido utilizar, armazenar, reproduzir, exibir, modificar, transmitir ou distribuir os dados contidos neste site sem permissão explícita prévia por escrito da Fusion Media e/ou de colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo. Todos os direitos de propriedade intelectual são reservados aos colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo e/ou bolsas de valores que fornecem os dados contidos neste site.
A Fusion Media pode ser compensada pelos anunciantes que aparecem no site com base na interação dos usuários do site com os anúncios publicitários ou entidades anunciantes.

English (USA) English (UK) English (India) English (Canada) English (Australia) English (South Africa) English (Philippines) English (Nigeria) Deutsch Español (España) Español (México) Français Italiano Nederlands Português (Portugal) Polski Русский Türkçe ‏العربية‏ Ελληνικά Svenska Suomi עברית 日本語 한국어 简体中文 繁體中文 Bahasa Indonesia Bahasa Melayu ไทย Tiếng Việt हिंदी
Sair
Tem certeza de que deseja sair?
NãoSim
CancelarSim
Salvando Alterações

+

Baixe o aplicativo do Investing.com

Receba gratuitamente cotações, gráficos e alertas em tempo real sobre ações, índices, moedas, commodities e títulos. Acesse gratuitamente as melhores análises e previsões técnicas.

Investing.com é melhor no App!

Mais conteúdo, cotações e gráficos mais rápidos e uma experiência melhor estão disponíveis apenas no aplicativo.