Uma Luz no Fim do Túnel

Uma Luz no Fim do Túnel

Cristiane Fensterseifer  | 22.10.2020 06:20

Eu sei que muita gente adora quando falo de séries. No último fim de semana, vi uma na Netflix que achei muito boa e, por isso, vou recomendá-la para você, até porque ela me trouxe um pouco de esperança, aquela luz no fim do túnel, para a nossa economia e Bolsa de Valores.

A série se chama Marte e mostra a primeira empreitada humana para, enfim, chegar ao planeta vermelho e iniciar sua colonização. Um ponto muito interessante é que a obra mescla imagens reais de explorações passadas e atuais (lideradas pela Tesla, empresa do Elon Musk) com ficção – afinal, ela se passa em 2033, quando possivelmente estaremos enviando as primeiras pessoas para lá. 

Fato é que a série traz uma reflexão óbvia sobre nosso instinto de sobrevivência, o que fez do ser humano um explorador. Desde as grandes migrações de 100 mil anos atrás, passando pelas Grandes Navegações que culminaram, entre outros fatos, na “descoberta” das Américas, até os programas espaciais e a atual globalização das empresas, é da nossa natureza expandir, conquistar, propagar e, principalmente, sobreviver. 

E é exatamente esse instinto de sobrevivência que me faz ficar um pouco mais otimista sobre as possibilidades do Brasil daqui para a frente. 

Quando o cenário está muito ruim e o Brasil parece prestes a cair no buraco, historicamente, ele faz alguma coisa e se mantém em pé, um sobrevivente nato. 

Na época da reforma da previdência, era óbvio para mim que ela seria aprovada, fosse no governo Temer, fosse no governo Bolsonaro, ou em qualquer outro governo, pelo simples fato de que não havia outra opção viável. O déficit previdenciário era tão grande e crescente que algo precisava ser feito. E assim foi – à moda brasileira –, com jeitinho, muita emoção envolvida e aos 45 do segundo tempo, é verdade.

Agora, vejo que chegamos ao mesmo ponto em relação ao déficit fiscal. Segundo lista divulgada recentemente pelo FMI, o Fundo Monetário Internacional, o Brasil é o segundo pior país quando se observa a relação dívida/PIB entre os países emergentes, perdendo apenas para Angola. Se a situação fiscal brasileira já era muito ruim, os gastos emergenciais devido à pandemia do novo coronavírus (quase R$ 1 trilhão) tornaram a situação crítica, a ponto de se tornar insustentável se algo não for feito. 

E, novamente, em minha opinião, quando não houver mais alternativas, algo provavelmente será feito para garantir nossa sobrevivência. 

Um exemplo disso aconteceu recentemente. Houve um jantar entre os presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, respectivamente, com o ministro da Economia Paulo Guedes, cada um representando sua esfera de poder, no qual foi selada uma espécie de armistício em prol do Brasil. O jantar foi regado a falas de que era necessária união para resolver o problema, mas até então não houve nenhuma proposta concreta.

É fato que existem diversas formas de se resolver a questão do déficit: aumento de impostos, corte de gastos, reformas estruturais (como a administrativa e tributária), privatizações e até mesmo pedaladas – sim, elas foram mais comuns do que se pensa, mas não vamos discutir isso agora. 

A pergunta que fica é: qual será a fórmula escolhida? Eu não faço ideia, mas cada vez mais acho que estamos perto de alguma decisão. Até porque, do jeito que a situação está, não dá para continuar.

Assim, inspirada pelo nosso inato instinto de sobrevivência, posso afirmar que eu vejo uma luz no fim do túnel para a situação do país. Ela ainda é fraca, mas já traz uma perspectiva de melhora da situação.

Só espero que essa luz seja realmente a saída do túnel, e não a de qualquer outra coisa vindo na direção contrária.

Abraços.

Cristiane Fensterseifer

Artigos Relacionados

Últimos comentários

Adicionar comentário
Aguarde um minuto antes de tentar comentar novamente.
JoãoS
JoãoS

A autora parece muito pessimista com o Brasil. Apesar de termos avançado em matérias importantes, discordo da ideia de que somos sempre salvos nos 45 do 2T. O Brasil produz alimento para matar a fome de mais de 1 bilhão de pessoas pelo mundo, embora tenha que conviver com 10 milhões dos nossos com necessidades básicas não atendidas. Um país desses não é um escorpião como querem fazer você acreditar.  ... (Leia Mais)

22.10.2020 20:39 GMT· 1 · Responder
marivaldo holanda
marivaldo holanda

OTIMISMO cego!!!GOSTEI!rsrs  ... (Leia Mais)

22.10.2020 20:26 GMT· Responder
Rubens Vereza
Rubens Vereza

Faz arminha que passa... rs alguem ainda tem alguma esperanca com esse palhaco na presidencia?  ... (Leia Mais)

22.10.2020 19:57 GMT· Responder
Adelfo Borges
Adelfo Borges

Como sempre, abençoado por Deus, o Brasil sairá de toda e QQ saliência que possa vir atrapalhar o caminho !!!! Fé em Deus e força na peruca....  ... (Leia Mais)

22.10.2020 17:17 GMT· Responder
Cristiane Fensterseifer
Cristiane Fensterseifer

:)  ... (Leia Mais)

22.10.2020 15:02 GMT· Responder
Discussão
Escrever uma resposta...
Aguarde um minuto antes de tentar comentar novamente.

Negociar instrumentos financeiros e/ou criptomoedas envolve riscos elevados, inclusive o risco de perder parte ou todo o valor do investimento, e pode não ser algo indicado e apropriado a todos os investidores. Os preços das criptomoedas são extremamente voláteis e podem ser afetados por fatores externos, como eventos financeiros, regulatórios ou políticos. Negociar com margem aumenta os riscos financeiros.
Antes de decidir operar e negociar instrumentos financeiros ou criptomoedas, você deve se informar completamente sobre os riscos e custos associados a operações e negociações nos mercados financeiros, considerar cuidadosamente seus objetivos de investimento, nível de experiência e apetite de risco; além disso, recomenda-se procurar orientação e conselhos profissionais quando necessário.
A Fusion Media gostaria de lembrar que os dados contidos neste site não são necessariamente precisos ou atualizados em tempo real. Os dados e preços disponíveis no site não são necessariamente fornecidos por qualquer mercado ou bolsa de valores, mas sim por market makers e, por isso, os preços podem não ser exatos e podem diferir dos preços reais em qualquer mercado, o que significa que são inapropriados para fins de uso em negociações e operações financeiras. A Fusion Media e quaisquer outros colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo não são responsáveis por quaisquer perdas e danos financeiros ou em negociações sofridas como resultado da utilização das informações contidas neste site.
É proibido utilizar, armazenar, reproduzir, exibir, modificar, transmitir ou distribuir os dados contidos neste site sem permissão explícita prévia por escrito da Fusion Media e/ou de colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo. Todos os direitos de propriedade intelectual são reservados aos colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo e/ou bolsas de valores que fornecem os dados contidos neste site.
A Fusion Media pode ser compensada pelos anunciantes que aparecem no site com base na interação dos usuários do site com os anúncios publicitários ou entidades anunciantes.

English (USA) English (UK) English (India) English (Canada) English (Australia) English (South Africa) English (Philippines) English (Nigeria) Deutsch Español (España) Español (México) Français Italiano Nederlands Português (Portugal) Polski Русский Türkçe ‏العربية‏ Ελληνικά Svenska Suomi עברית 日本語 한국어 简体中文 繁體中文 Bahasa Indonesia Bahasa Melayu ไทย Tiếng Việt हिंदी
Sair
Tem certeza de que deseja sair?
NãoSim
CancelarSim
Salvando Alterações

+

Baixe o aplicativo do Investing.com

Receba gratuitamente cotações, gráficos e alertas em tempo real sobre ações, índices, moedas, commodities e títulos. Acesse gratuitamente as melhores análises e previsões técnicas.

Investing.com é melhor no App!

Mais conteúdo, cotações e gráficos mais rápidos e uma experiência melhor estão disponíveis apenas no aplicativo.

';