BC tem espaço para cortar Selic em mais de 0,25 p.p., diz Haddad

Reuters

Publicado 13.07.2023 11:14

Atualizado 13.07.2023 12:10

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira que não se discute mais quando será o corte de juros pelo Banco Central, e sim qual será sua magnitude, afirmando haver espaço para uma redução da Selic superior a 0,25 ponto percentual.

A taxa básica de juros está atualmente em 13,75% e o BC indicou na ata de seu último encontro que deve reduzi-la já em agosto, desde que até lá se mantenha cenário de arrefecimento da inflação.

"É a expectativa de todo mundo a essa altura, 100% dos analistas esperam corte...Agora o problema não é mais quando (será feito o corte), mas quanto", disse o ministro.

Em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, da RedeTV, Haddad argumentou que a taxa real de juros triplicou no Brasil em um ano, diante da manutenção da Selic elevada enquanto a inflação vem arrefecendo. Ele pontuou que o governo está pagando 10% de juros reais em seus títulos e que pessoas físicas pagam 30% de taxa real para comprar eletrodomésticos, o que seria insustentável.

"Nós esperamos alguma sensibilidade técnica aos números por parte da autoridade monetária para que nós voltemos a ter um ciclo normal", afirmou.

No mercado de juros futuros, investidores ainda apostam predominantemente em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom, em 1 e 2 de agosto, ainda que a perspectiva de uma redução de 0,50 p.p. tenha ganhado força nos últimos dias.

Na entrevista, o ministro disse que os dois indicados pelo governo para a diretoria do BC, Gabriel Galípolo e Ailton Aquino não irão "compor bancada" na autoridade monetária, mas levarão novos subsídios técnicos ao Comitê de Política Monetária.