Função do presidente do BC não é só atingir meta de inflação, mas também gerar empregos, diz Lula

Reuters

Publicado 13.07.2023 20:54

Atualizado 13.07.2023 21:50

Por Patricia VilasBoas e Fabricio de Castro

SÃO PAULO, (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar na noite desta quinta-feira o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o nível da taxa básica Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

Em entrevista à Record TV, Lula defendeu que a função do presidente do BC não é apenas atingir a meta de inflação, mas também gerar empregos e fazer a economia crescer.

"No caso do atual presidente do Banco Central, o BC tem autonomia, ele foi indicado por um outro governo e foi aprovado pelo Senado, ele está lá, ele tem uma função", disse Lula. "Mas a função dele não é só atingir a meta de 3,25% que ele estabeleceu, a função dele também é gerar empregos, e a função dele também é fazer a economia crescer", completou.

A meta de inflação perseguida pelo BC para o ano de 2023 é 3,25%, como citado por Lula. No entanto, a definição da meta não cabe apenas a Campos Neto, como dirigente do BC, mas também aos demais integrantes do Conselho Monetário Nacional (CMN) -- o ministro da Fazenda e o titular do Ministério do Planejamento.

Lula disse ainda que Campos Neto "tem que ter responsabilidade" de olhar a política monetária com "vários vieses".

"Ele não pode apenas achar que é preciso aumentar o juro. Nós não temos inflação de demanda, você aumenta o juro quando tem inflação de demanda", defendeu.

Desde o início de seu mandato, Lula vem criticando Campos Neto e defendendo o início do processo de cortes da Selic -- algo que, atualmente, o mercado financeiro espera para o mês de agosto. Já Campos Neto mantém o discurso de que o BC segue preocupado com a inflação, embora tenha havido avanços no controle dos preços.

LINHA BRANCA

Lula também fez, durante a entrevista, uma defesa da distribuição de renda. Conforme o presidente, não importa o quanto o Brasil cresceu, mas sim o quanto foi distribuído. O petista afirmou que a distribuição de renda é o que conta para que um país tenha solidez econômica.

O presidente voltou a defender a concessão de benefícios para produtos da linha branca, como fogão, geladeira e micro-ondas. Na quarta-feira, ele já havia indicado a intenção do governo de adotar medidas para reduzir os preços da linha branca.