Divisão do varejo esportivo dá gás à corrida da Centauro para garantir maior fatia no mercado

Divisão do varejo esportivo dá gás à corrida da Centauro para garantir maior fatia no mercado

Money Times  | 18.02.2020 18:56

Divisão do varejo esportivo dá gás à corrida da Centauro para garantir maior fatia no mercado

Difícil imaginar que a Centauro (SA:CNTO3), com quase duzentas lojas em funcionamento no Brasil, busca há tempos por consolidação no mercado. Após sua tentativa fracassada de adquirir a Netshoes (NYSE:NETS), a principal varejista esportiva do país tem fechado diversos acordos com grandes nomes do setor na tentativa de alavancar sua participação no ramo – atualmente em pouco mais de 5%.

Felipe Silveira e Samuel Torres, analistas da Capital Research, destacam que o mercado de artigos esportivos é “extremamente fragmentado”. O meio online poderia ser a solução do problema, se não fosse pela atuação ainda pequena do e-commerce brasileiro.

“A própria Centauro é um retrato disso, ainda que tenha uma participação online acima da média do mercado. Mais de 80% das vendas da empresa no terceiro trimestre de 2019 foram feitas em lojas físicas”, pontuam Silveira e Torres.

Setor promissor – e desafiador

O varejo físico de esportes segue em tendência de crescimento desde 2012. O mercado encerrou 2018 em R$ 34,8 bilhões, e a estimativa é de que o volume tenha alcançado R$ 37 bilhões em 2019.

Ainda assim, o segmento não escapa de ser desafiador.

“A Netshoes (NYSE:NETS), até ser adquirida pelo Magazine Luiza (SA:MGLU3), colecionou prejuízos milionários e estava com dificuldade de manter a operação sem uma injeção imediata de capital. Já a própria Centauro (SA:CNTO3), antes do IPO, tinha uma alavancagem elevada e precisou reestruturar a sua dívida em 2016, quando houve a conversão de parte da dívida em equity. As duas empresas optaram por uma estratégia de crescimento agressiva e pagaram o preço”, relembra a Capital.

Ganhos com parcerias

A compra da Netshoes (NYSE:NETS) pelo Magalu ligou um sinal de alerta nos negócios da Centauro (SA:CNTO3), que, desde então, anunciou algumas parcerias com marcas conhecidas do varejo – B2W (SA:BTOW3) e Nike.

O acordo com a Nike torna a Centauro (SA:CNTO3) a distribuidora exclusiva dos produtos da empresa estadunidense. Por R$ 900 milhões, a Centauro comprará a Nike do Brasil e será a operadora do e-commerce durante dez anos, bem como das lojas físicas presentes no território brasileiro por cinco anos.

A grande jogada da Centauro, no entanto, está em acelerar o omnichannel. Silveira e Torres comentam que, além da opção de retirada na loja, a companhia também conseguiu implementar o modelo “ship from store” e a possibilidade de troca de produtos em shoppings.

E como fica a ação?

Na avaliação da Capital, a Centauro (SA:CNTO3) “vem sendo negociada com um grande prêmio em relação ao principal par internacional listado, que é a Dick’s Sporting Goods”, mas estaria descontada em comparação com ações do varejo brasileiro, considerando o preço sobre o lucro projetado para os próximos anos.

Por exemplo, a relação entre preço e lucro da Centauro estimada para o fim de 2020 é de 42,2 vezes, enquanto as projeções sobre o Magalu e a Lojas Americanas (SA:LAME4) são de 121,4 vezes e 49,7 vezes, respectivamente.

“Isso significa que os investidores têm aceitado pagar um valor que hoje parece irreal, colocando na conta o crescimento do e-commerce”, explicam Silveira e Torres.

Os analistas adotam a ideia de que a Centauro, juntamente com a Netshoes, tende a apresentar uma posição de destaque na transição do setor, do cenário físico para o online, e por isso veem sentido em ter uma posição pequena no ativo mesmo com os múltiplos bem esticados.

No entanto, eles chamam a atenção para o fato do mercado já ter uma visão otimista sobre a companhia, o que tende a trazer maior volatilidade aos papéis.

Por Money Times

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Luiz Ferreira Santos
Luiz Ferreira Santos

As ações de varejistas brasileiras estão muito esticadas. Para curto prazo, em notícias "fabricadas" ainda vale, mas a medio e longo prazos, uma temeridade.   ... (Leia Mais)

19.02.2020 09:08 GMT· Responder
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