Reuters
Publicado 26.06.2023 16:49
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros encerraram a segunda-feira em queda, em meio a preocupações em torno da economia global e com investidores no Brasil à espera da divulgação da ata do último encontro do Copom, na terça-feira.
Após os recuos mais recentes, as taxas futuras oscilaram em margens estreitas nesta segunda-feira, em um dia sem fatores que pudessem mudar de forma intensa a precificação na curva a termo.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries cediam pela manhã, impactados pela turbulência na Rússia. Na sexta-feira, a Rússia acusou o chefe mercenário Yevgeny Prigozhin, do grupo Wagner de convocar um motim armado. Ainda no fim de semana, o motim foi aparentemente debelado, mas o evento ainda permeava os negócios na manhã desta segunda-feira.
Além da turbulência russa, os mercados reagiam a notícias que colocam em dúvida o crescimento econômico global. A S&P cortou a previsão de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) da China em 2023, de 5,5% para 5,2%, ressaltando a natureza desigual da recuperação pós-reabertura do país. Foi o primeiro corte desse tipo feito por uma agência global de risco este ano e segue revisões feitas pelo Goldman Sachs (NYSE:GS) e outros grandes bancos de investimento.
Já o banco central da Alemanha disse que a recessão deve terminar no segundo trimestre do ano, mas que o PIB “aumentará ligeiramente” no período. Para 2023 como um todo, o Bundesbank espera que o PIB alemão caia 0,3% em dado ajustado.
Estes fatores vindos do exterior colocavam certo viés de baixa para as taxas dos contratos futuros de juros no Brasil . Ainda assim, as taxas não se distanciavam tanto dos níveis vistos na sexta-feira.
De acordo com um profissional ouvido pela Reuters, os investidores também aguardam com ansiedade a divulgação da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), na manhã de terça-feira.
Uma das dúvidas é se o BC manterá o discurso hawkish (duro) adotado no comunicado da semana passada, quando manteve a taxa básica Selic em 13,75% ao ano, ou utilizará a ata para amenizar o tom em relação à política monetária.
Com os investidores à espera da ata, a precificação para as reuniões do Copom pouco mudou nesta segunda-feira. A curva a termo chegou a precificar à tarde 100% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual da Selic no encontro de agosto. No fim da tarde, o percentual precificado era de 92% -- ante 95% no fechamento de sexta-feira.
Para setembro, a precificação majoritária ainda é de corte de 0,50 ponto percentual, a despeito de o BC, em seu comunicado, ter indicado maior cautela no processo de cortes da taxa básica.
Pela manhã, o Banco Central divulgou o boletim Focus, com as previsões dos economistas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos. Conforme o documento, os economistas esperam por dois cortes de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto e setembro.
O Focus mostrou ainda queda para a projeção de inflação em 2023, de 5,12% para 5,06%, e em 2024, de 4,00% para 3,98%.
Neste cenário, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 13,005%, ante 13,017% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,975%, ante 11,023% do ajuste anterior. Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2026 estava em 10,34%, ante 10,395% do ajuste anterior, e a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,325%, ante 10,391%.
No exterior, o rendimento dos Treasuries de 10 anos seguia em queda no fim da tarde.
Às 16:47 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1,60 ponto-base, a 3,7231%.
Escrito por: Reuters
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