Nubank (ROXO34): 100 milhões no banco, e agora, ‘Roxinho’?

 | 24.05.2024 14:24

O Nubank (BVMF:ROXO34) registrou um salto de 167% no lucro líquido nos três primeiros meses deste ano, a US$ 378,8 milhões. Pouco depois, o ‘Roxinho’ alcançou neste mês a marca de 100 milhões de clientes nos países da América Latina onde atua - sendo 92 milhões no Brasil, 7 milhões no México e 1 milhão na Colômbia.

Até aqui, a dúvida era provar que o modelo de negócios do banco digital, muito dependente de cartão de crédito, é exportável. Ao que tudo indica, sim, é possível. Agora, o Nubank precisa mostrar que pode crescer em outras linhas de crédito, também rentáveis, porém mais competitivas.

É o caso da corrida no (disputado) mercado de conta global, na qual o Nubank entrou atrasado após uma parceria com a Wise e com uma estratégia diferente da dos principais rivais. Grandes bancos e corretoras - como Avenue, XP (NASDAQ:XP), C6, BTG (BVMF:BPAC11), Bradesco (BVMF:BBDC4) e Santander (BVMF:SANB11) - já oferecem contas internacionais no país.

Atualmente, com apenas R$ 500 é possível ter uma conta global gratuita - sem taxa de manutenção ou anuidade - e investir em ativos negociados no exterior. Aliás, dados da Receita Federal divulgados ontem (14) mostram que mais de 810 mil brasileiros tinham, somados, R$ 1,1 trilhão investidos no exterior ao final de 2023.

Para se ter uma ideia, cinco anos antes, eram pouco mais de 260 mil - ou seja, um aumento de cerca de 200% no período. Dos brasileiros que declararam bens no exterior, quase 50% tinham ações de outros países, 15% tinham fundos de índice (ETF) lá de fora e outros 13% já possuíam contas internacionais.

Ultravioleta com cashback

No entanto, o Nubank entrou nesse segmento com foco inicial em clientes do cartão Ultravioleta (de alta renda) e aposta em taxas mais baixas e serviço de internet no exterior. Com isso, o banco digital segue atrasado na parte de investimentos, principalmente em relação aos seus pares.

No Inter (BVMF:INBR32), por exemplo, o banco da família Menin permite investir em ações americanas. Ou seja, além de chegar atrasado e com o sarrafo muito alto, o Nubank sequer demonstra interesse por disputar uma fatia na carteira do investidor brasileiro no exterior.

Aliás, até hoje, um dos maiores mistérios no sistema bancário é como alguém consegue o cartão ultravioleta. Até porque se mais pessoas adquirirem o plástico dessa cor, a proposta de cashback a 200% do CDI se torna insustentável no longo prazo.

O ‘Roxinho’ alcançou fatia de 15% no mercado brasileiro, sendo o segundo maior emissor de cartões no país, atrás apenas do Itaú (BVMF:ITUB4). Talvez, por isso, quem está de fora vê que agora o Nubank quer um grande portal de notícias para gerar leads - não aquele do jornalismo, mas do marketing, e o qual os jornalistas têm cada vez mais que perseguir.

Poder roxo

Embora o segmento de cartões de crédito apresente taxas de crescimento aceleradas, o risco de suas operações é superior ao de outras linhas de crédito. Tanto que, combinados, os “cem milhões de um” fizeram a receita do Nubank encerrar março em nível recorde, de US$ 2,7 bilhões, com destaque nas linhas de empréstimo pessoal e cartão de crédito.

Junto com o crescimento dessas operações, porém, veio o aumento da inadimplência Os atrasos de até 90 dias atingiram a marca de 5%; acima disso, subiu a 6,3%. Vale lembrar que o início de ano costuma ser marcado por pagamentos atrasados e maior endividamento, em especial entre as pessoas físicas por causa dos gastos com a virada da ‘folhinha’.

No entanto, essas métricas caíram entre os ‘bancões’ tradicionais. Ainda assim, o Nubank superou seus rivais na principal medida do setor financeiro. Conhecida pela sigla em inglês ROE , o retorno anualizado sobre o patrimônio líquido do banco digital saiu de 11% há um ano e fechou o primeiro trimestre em 23% - um dos mais altos do sistema bancário brasileiro. Para se ter uma ideia, o BTG Pactual atingiu 22,8% e o Itaú, 21%, em março.

Como o patrimônio líquido é igual aos ativos de uma empresa, menos sua dívida, o ROE é considerado o retorno financeiro que uma empresa - no caso, um banco - consegue obter sobre os ativos líquidos. Dito de outro modo, é um indicador que mede a capacidade de gerar valor ao negócio e aos investidores com base nos recursos que possui.

Considerando-se os números do primeiro trimestre, chega-se à conclusão do próprio CFO, Guilherme Lago, que o negócio do Nubank não é minimizar indicadores de inadimplência, mas sim maximizar a receita ajustada pelo risco (das operações). Ou seja, o risco que o banco toma no crédito é mais que compensado pela receita que gera, levando a um aumento da rentabilidade - desde que não seja gerando 1% de cashback em larga escala.

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Olivia Bulla

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