Alarme Falso

 | 04.12.2018 09:22

O mercado financeiro se deu conta de que a trégua passageira firmada entre Estados Unidos e China mais prolonga as incertezas em relação à guerra comercial do que elimina um dos focos de tensão atual nos negócios globais. Com isso, teve fôlego curto o rali dos ativos de risco ontem - no Brasil, o dólar seguiu acima da faixa de R$ 3,80. E hoje os investidores também devem reduzir o apetite, diante da inesperada pausa em Wall Street amanhã.

A morte do “Bush pai” na noite da última sexta-feira, aos 94 anos, interrompe o pregão nas bolsas de Nova York nesta quarta-feira, em respeito ao Dia Nacional do Luto, que homenageia o presidente norte-americano que selou o fim da Guerra Fria e saiu vencedor na Guerra do Golfo. O depoimento do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ao Congresso, previsto para amanhã, também foi cancelado e ainda não há nova data.

Já nesta terça-feira a agenda econômica no exterior está esvaziada, trazendo apenas as vendas de veículos pelas fabricantes norte-americanas em novembro. Na Europa, sai o índice de preços ao produtor (PPI) em outubro, pela manhã. No fim do dia, na Ásia, saem dados sobre a atividade no setor de serviços na China e no Japão.

Com isso, os investidores aproveitam para avaliar se a reação positiva do mercado financeiro ao cessar-fogo entre as duas maiores economias do mundo não foi exagerada ou se ainda há uma “janela de oportunidade” para engatar um rali de fim de ano, considerando-se também o tom mais suave (“dovish”) do Federal Reserve em relação à alta de juros. A questão é que para ir além, os ativos precisam de um gatilho mais potente.

Por ora, parece que a festa acabou. As bolsas asiáticas tiveram uma pausa, com oscilações laterais em Hong Kong (-0,2%) e em Xangai (+0,4%), ao passo que Tóquio teve queda firme de mais de 2%, em meio ao fortalecimento do iene. A moeda norte-americana perde terreno para as demais moedas rivais, como o euro e a libra, diante da suspensão de novas tarifas nos próximos 90 dias, abrindo espaço para uma valorização do petróleo.

Em Nova York, os índices futuros das bolsas amanheceram no vermelho, em meio à reversão na curva de rendimento (yield) dos títulos norte-americanos pela primeira vez desde 2007. O movimento reforça a impressão de que o Fed está se aproximando do fim do ciclo atual de aperto monetário. Com isso, o yield do bônus de três anos está acima do de cinco anos, enquanto a diferença entre o yield do papel de dois e o de 10 anos é de cerca de 15 pontos.

Abaixe o App
Junte-se aos milhões de investidores que usam o app do Investing.com para ficar por dentro do mercado financeiro mundial!
Baixar Agora

O problema é que inversões na curva de rendimento dos títulos norte-americanos também tendo sido um indicador confiável de recessões passadas, o que lança uma sombra sobre a perspectiva para a economia dos EUA em 2019. Assim, o que a curva de rendimento está dizendo, cada vez mais, é que há uma desaceleração econômica iminente à frente. Nesta manhã, o rendimento da T-note seguia abaixo de 3%.

No Brasil, o mercado financeiro continua dando o benefício da dúvida ao próximo governo, avaliando que ele segue em uma curva de aprendizado, mas apontando para a direção correta. Hoje, o presidente eleito Jair Bolsonaro inicia uma série de encontros com partidos, de modo ampliar a base de apoio e garantir articulação política para o avanço da agenda de reformas no Congresso.

Aliás, a disputa pela presidência da Câmara e do Senado continua com Rodrigo Maia e Renan Calheiros como peças-centrais., o que pode complicar o modelo de governabilidade pretendido por Bolsonaro. O próprio Renan teria aconselhado o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, a dialogar com senadores para obter apoio às propostas de Estado enxuto e privatizações - tida como pilares da Escola de Chicago.

Já a reforma da Previdência a ser encaminhada pela equipe econômica logo no início do mandato do futuro presidente não deve gerar “grandes tumultos”, em meio à ausência de rupturas com o atual sistema vigente. Resta saber se a proposta de novas regras para a aposentadoria será suficiente para ajustar o lado fiscal e, principalmente, se irá agradar às agências de classificação de risco na sinalização para equilibrar o rombo das contas públicas.

O governo ainda espera um reforço no caixa vindo do megaleilão de áreas do pré-sal, que pode render até R$ 100 bilhões. A expectativa ainda é pela votação do projeto de lei no Senado neste ano, mas a equipe de transição de governo já admite que uma solução pode ficar para 2019. O principal impasse é sobre as regras de repartição dos recursos.

Entre os indicadores econômicos, o destaque do dia fica com a produção industrial brasileira (9h), que deve interromper três meses seguidos de queda e crescer 1,00% em outubro em relação a setembro. Na comparação com um ano antes, a indústria nacional deve avançar 2,00%, voltando a subir, após interromper três altas consecutivas no resultado anterior.

Olivia Bulla

Negociar instrumentos financeiros e/ou criptomoedas envolve riscos elevados, inclusive o risco de perder parte ou todo o valor do investimento, e pode não ser algo indicado e apropriado a todos os investidores. Os preços das criptomoedas são extremamente voláteis e podem ser afetados por fatores externos, como eventos financeiros, regulatórios ou políticos. Negociar com margem aumenta os riscos financeiros.
Antes de decidir operar e negociar instrumentos financeiros ou criptomoedas, você deve se informar completamente sobre os riscos e custos associados a operações e negociações nos mercados financeiros, considerar cuidadosamente seus objetivos de investimento, nível de experiência e apetite de risco; além disso, recomenda-se procurar orientação e conselhos profissionais quando necessário.
A Fusion Media gostaria de lembrar que os dados contidos nesse site não são necessariamente precisos ou atualizados em tempo real. Os dados e preços disponíveis no site não são necessariamente fornecidos por qualquer mercado ou bolsa de valores, mas sim por market makers e, por isso, os preços podem não ser exatos e podem diferir dos preços reais em qualquer mercado, o que significa que são inapropriados para fins de uso em negociações e operações financeiras. A Fusion Media e quaisquer outros colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo não são responsáveis por quaisquer perdas e danos financeiros ou em negociações sofridas como resultado da utilização das informações contidas nesse site.
É proibido utilizar, armazenar, reproduzir, exibir, modificar, transmitir ou distribuir os dados contidos nesse site sem permissão explícita prévia por escrito da Fusion Media e/ou de colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo. Todos os direitos de propriedade intelectual são reservados aos colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo e/ou bolsas de valores que fornecem os dados contidos nesse site.
A Fusion Media pode ser compensada pelos anunciantes que aparecem no site com base na interação dos usuários do site com os anúncios publicitários ou entidades anunciantes.

Sair
Tem certeza de que deseja sair?
NãoSim
CancelarSim
Salvando Alterações