FED Peace & Love

 | 14.12.2017 08:17

Os membros do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) não querem atrapalhar a agenda de reforma tributária de Donald Trump. A reunião de Comitê de dois dias, encerrada nesta quarta-feira, mostrou que a autoridade monetária norte-americana subestima os efeitos de um poderoso pacote de impulso fiscal, sem precedentes na história, prestes a ser chancelado no Congresso.

O Banco Central dos Estados Unidos elevou a meta para a FFR (Federal Funds Rate) em 0,25 p.p. para o intervalo de 1,25% a 1,50% ao ano. O primeiro sinal dovish veio com o placar da decisão. Dos 9 integrantes com poder de voto, 2 votaram contra a decisão de política monetária. O presidente da regional de Minneapolis, Neel Kashkari, e o presidente da regional de Chicago, Charles Evans, queriam manutenção da FFR entre o intervalo de 1,00% a 1,25% ao ano.

Os membros do Comitê avaliaram os impactos da reforma tributária, mas surpreenderam ao não alterar suas projeções sobre a inflação e taxa básica de juros, mesmo considerando cenário de aceleração do crescimento e fortalecimento do mercado de trabalho. Parece ser uma conta que estranhamente não fecha, mas é o cenário base com o qual o FED trabalha.

A mediana de projeções para o PIB de 2017 subiu de 2,4% para 2,5%. Para 2018, a estimativa saltou de crescimento de 2,1% para 2,5%. A taxa de desemprego tende a encerrar 2017 aos 4,1%, mínima dos últimos 17 anos, e continuar cedendo em 2018, alcançando 3,9%.

Entretanto, os números mais fortes para o PIB e o mercado de trabalho não foram acompanhados pela inflação e taxa básica de juros. A mediana das projeções dos membros do Comitê para a inflação subiu de 1,6% para 1,7% em 2017, mas se manteve estável em 1,9% para 2018. O mesmo racional é aplicado para o núcleo de inflação, com perspectiva de encerrar 2018 em 1,9%, pouco abaixo da meta de 2% a ser perseguida.

Acompanhando uma expectativa de inflação fraca, o gráfico de pontos para a FFR revela nenhuma mudança nas projeções, mesmo com aprovação da significativa reforma tributária no Congresso. A mediana das estimativas para a FFR ficou inalterada em 2,1% para 2018 e 2,7% para 2019, com longer run em 2,8%, denunciando extrema cautela na condução da política monetária.