Um Antiácido, Por Gentileza

 | 28.10.2013 11:20

Mais um incêndio ocorreu nesta sexta-feira atingindo as instalações da EDF Man em Santa Adélia, município pertencente à microrregião de Catanduva, São Paulo, queimando 24.000 toneladas de açúcar. A bruxa está solta mesmo. Dois eventos dessa natureza no intervalo de uma semana, é assustador.

O mercado futuro de açúcar em NY encerrou a sexta-feira cotado a 19,02 centavos de dólar por libra-peso devolvendo com juros e correção monetária toda a alta verificada por ocasião do pânico pós-incêndio nos armazéns de Santos.

Desde o pico ocorrido no início da manhã do dia 18 de outubro, de 20,16 centavos de dólar por libra-peso, o mercado despencou para a mínima de 18,80 centavos de dólar por libra-peso, uma queda pronunciada de 30 dólares por tonelada. Na semana, o vencimento março/2014 fechou com queda de 48 pontos (US$ 10.58 por tonelada). Os demais meses seguiram o mesmo padrão com quedas de 6 a 8 dólares por tonelada.

A queda do mercado em NY na quinta-feira pode ser atribuída – parcialmente - a alguns fatores: a tranquilidade passada ao mercado pela Copersucar após o incêndio, transparecendo que a empresa vai equacionar os seus problemas logísticos; e, também, à maciça troca de informações entre os traders durante os eventos da semana do açúcar em SP, com a constatação de que alguns deles estivessem pouco fixados contra o mercado futuro em relação à média dos seus pares.

Afinal, os preços em reais por tonelada continuam altos e o dólar também apreciou em relação ao real fazendo com que as fixações de vendas futuras para a próxima safra ficassem mais atrativas.

De maneira geral, o tom das conversas nos eventos da semana pareceu mais construtivo. Não tem ninguém saindo com fantasia de touro ainda, mas pode-se dizer que a fantasia de urso já não está caindo tão bem quanto antes. O mercado pode ainda voltar para níveis mais baixos, até mesmo quebrar os 18 centavos de dólar por libra-peso, mas o consenso é que já vimos a baixa do mercado, ou seja, aqueles 15,93 centavos de dólar por libra-peso são parte da história.

O mercado parece fazer um voo cego por desconhecer a posição dos fundos. Os comentários dão conta de que eles estejam 200.000 contratos comprados. O CFTC, o Comitê de Negociações com Futuros de Commodities, vai levar algumas semanas para regularizar o trabalho acumulado por conta do “shutdown” do governo americano, antes de divulgar a posição dos comitentes.

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É certo que o setor luta com muitas forças para sobreviver num ambiente hostil como esse imposto por esse governo que aí está. Um exemplo dessa falta de boa vontade por parte do governo e olhar obtuso, por exemplo, foi a declaração do diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério das Minas e Energia, Ricardo Dornelles, no painel em que participava no evento DATAGRO.

Ele confrontou deselegantemente a presidente da UNICA, Elizabeth Farina quando apontou que o setor “precisa buscar seu espaço apenas com o aumento de competitividade, sem lutar pela paridade mercadológica com a gasolina” e que o “setor não tem apresentado sugestões para um crescimento sustentável”.

Até as pedras sabem que esse senhor nunca morreu de amores pelo setor sucroalcooleiro e que seu discurso ensaiado demonstra soberba e desprezo, e não raramente beira a falta de postura. Ele teve a chance de se desculpar da descortesia com a presidente, mas não o fez.

A presidente, mulher elegante e franzina nos seus 1,58 m de altura deu o troco de maneira dura, mas educada, dizendo que o setor tem sim apresentado sugestões e que os preços subsidiados da gasolina interferem no preço do etanol, afugentando novos investimentos.

O citado diretor tem todo o direito, como cidadão, de não gostar de quem quer que seja. Como funcionário público, pago com o dinheiro do contribuinte, duvido que esteja na sua descrição de cargo a atitude arrogante que demonstra. É caso de pedir aos organizadores de futuros eventos nos quais ele seja palestrante que disponibilizem aos presentes doses cavalares de antiácido.

Ainda no mesmo painel, o mesmo diretor mencionou que o Brasil importa gasolina de baixa qualidade para ser misturada ao etanol anidro para a venda final ao consumidor nacional. Uma declaração importante: o governo permite que se importe gasolina de baixa qualidade para assim diminuir o prejuízo que a Petrobras tem por vender ao consumidor combustível muito mais barato do que o preço que importa, mesmo sendo uma gasolina inferior.

Política contrária aos objetivos traçados pelo Ministério das Minas e Energias que diz “proteger o meio ambiente e os interesses do consumidor quanto a preço, qualidade e oferta dos produtos derivados de hidrocarbonetos e biocombustíveis”. Esse é o Brasil.

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