CHARGE: Por que o Grinch da Covid não vai roubar o Natal

Investing.com

Publicado 23.11.2021 16:02

Atualizado 23.11.2021 17:53

Por Geoffrey Smith

Investing.com -- Mais um inverno, mais um surto de Covid na Europa – e será que virão também mais um lockdown e mais uma desaceleração econômica?

A sensação de déjà vu é forte, mas provavelmente não é tão preocupante quanto parece. As sociedades ocidentais têm os meios e, ao que parece, a vontade para assegurar que esta é a última vez que pergunta precisará mesmo ser feita. Qualquer desaceleração em função de medidas de saúde pública nos próximos meses deve ser breve e superficial.

É verdade que – à primeira vista – a notícia é ruim. A Áustria está de volta em lockdown total por um mês, e as taxas de infeção na Alemanha estão duas vezes mais altas que jamais estiveram. Nos últimos sete dias, a taxa média de novos casos Covid-19 foi superior a 51.000. O quadro é o mesmo nos Países Baixos e na Polônia.

A Alemanha em especial é motivo de preocupação. Por ser a locomotiva do crescimento europeu, qualquer novo lockdown traria maiores consequências para a zona do euro em geral. Distraídos pelas eleições nacionais em setembro (como Índia esteve no início do ano), os legisladores estão atrás da curva. O novo governo de coalizão – que ainda será confirmado no cargo – não possui a autoridade para agir de forma decisiva.

Centenas de milhões de pessoas no continente que se vacinaram descobrem em choque que suas ações não conseguiram eliminar a ameaça de lockdowns em massa para evitar a sobrecarga dos serviços de saúde. Em parte, isso se deve ao fato que as previsões dos governantes no início do ano foram otimistas demais.

"A delta mudou muito no que diz respeito ao nível de vacinação e infeção natural necessária para se atingir a imunidade de rebanho", disse Peter Piot, virologista que atua como consultor especial da Comissão Europeia, ao jornal grego Kathimerini numa entrevista publicada na segunda-feira. "Esse percentual aumentou para talvez cerca de 90%, quando, no início, pensamos que seria cerca de 70%".

A maioria (cerca de 70% da população europeia está totalmente vacinada) encontrou um alvo fácil para culpar: a minoria dos que rejeitaram a vacina. Os dados sugerem que eles têm um bom argumento – as taxas de infeção têm sido mais altas onde as taxas de vacinação são mais baixas – na Europa Central e Oriental.

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As taxas de infeção ficaram visivelmente mais baixas na Irlanda, Espanha e Portugal, que exibem taxas de vacinação de até 92%, além de Itália e França, onde o governo tem tido menos reservas que na Alemanha para suspender temporariamente os direitos individuais de modo a incentivar as pessoas se vacinarem. A Áustria decretou agora o primeiro mandato nacional de vacinação. É improvável que seja o último.

A crescente intolerância, tanto entre legisladores como entre a população em geral, em relação àqueles que ainda recusam a vacina, foi resumida de maneira contundente por Jens Span, ministro da saúde do governo alemão, na segunda-feira, quando advertiu que "ao final deste inverno, praticamente todos na Alemanha provavelmente ou estarão vacinados, ou recuperados, ou mortos".

As entrelinhas eram claras: ninguém quer colocar a vida em espera novamente por causa de quem não se protege contra a Covid. A ação monta o palco para uma sequência de eventos cada vez mais divisivos, como as manifestações no fim de semana contra novos lockdowns na Europa já deixaram claras.

Felizmente, existe razão para achar que as coisas não vão ficar muito ruins. Em primeiro lugar, todas as ondas da Covid têm um fim, e na Europa Oriental, que foi a primeira atingida pela variante delta, o número de novos casos já está visivelmente em queda. Em segundo lugar, as doses de reforço proporcionam uma defesa simples e eficaz contra uma das principais causas da onda atual, que é a queda da imunidade criada pela primeira onda de vacinação.

Em terceiro lugar, os reguladores europeus aprovarão – muito provavelmente – a vacinação para crianças entre 5 e 11 anos na próxima semana, encerrando outro importante canal de transmissão e garantindo que as escolas permaneçam abertas. Em quarto lugar, uma ou mais das pílulas antivirais desenvolvidas pela Merck & Company Inc (NYSE:MRK) (SA:MRCK34), Pfizer (NYSE:PFE) (SA:PFIZ34) e Regeneron Regeneron Pharmaceuticals (NASDAQ:REGN) (SA:REGN34) (outras ainda estão sendo desenvolvidas) provavelmente serão aprovadas "bem antes da primavera", de acordo com Piot.

A Grã-Bretanha, que já abandonou a maior parte das suas restrições de distanciamento social no verão do hemisfério norte e que tem visto o número de infeções entrarem em platô em vez de uma espiral, já aprovou o medicamento da Merck, o molnupravir. Os reguladores da UE esperam aprová-lo até o final do ano.

Por último, é evidente que a economia europeia já aprendeu, em grande parte, a lidar com a Covid-19. Desde práticas de trabalho flexíveis a compras online e disciplina no distanciamento social, as principais barreiras já foram superadas. Salvo algum desastre imprevisto, o Grinch da Covid não vai roubar este Natal.

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