Dólar passa a subir frente ao real após Powell indicar chance de mais aperto monetário nos EUA

Reuters

Publicado 25.08.2023 09:10

Atualizado 25.08.2023 12:00

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar devolveu perdas iniciais e passou a subir frente ao real nesta sexta-feira depois de discurso do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio de banqueiros centrais de Jackson Hole.

Atendendo às expectativas de parte dos mercados de que adotaria tom ainda agressivo, Powell disse nesta sexta-feira que o Federal Reserve pode precisar aumentar ainda mais a taxa de juros para garantir que a inflação seja contida nos Estados Unidos, em comentários que contrabalançaram a redução no ritmo de aumento dos preços no último ano com o surpreendente desempenho da economia dos EUA.

Na esteira de sua fala, às 11:52 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,26%, a 4,8924 reais na venda, abandonando perdas iniciais, em linha com a recuperação da moeda norte-americana no exterior. O índice do dólar contra uma cesta de pares fortes ganhava cerca de 0,3% no final da manhã.

Na B3 (BVMF:B3SA3), às 11:52 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,17%, a 4,8975 reais.

Custos de empréstimos mais elevados nos EUA tendem a impulsionar os rendimentos dos Treasuries e, consequentemente, manter o dólar em patamares fortes a nível global, conforme investidores migram seus investimentos em renda fixa para a maior economia do mundo.

Mais cedo, no Brasil dados mostraram que o IPCA-15 subiu mais do que o esperado em agosto, sob pressão dos custos da energia elétrica, com a taxa em 12 meses voltando a superar os 4%, o que impulsionou as taxas dos principais contratos futuros de juros nesta manhã.

Os dados vieram na mesma semana em que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou em entrevista que a luta contra a inflação não está ganha.

"Esse cenário não contribui para o Copom acelerar o ritmo de corte de juros", destacou o PicPay sobre o IPCA-15 em nota assinada pelo economista-chefe Marco Caruso e pelo economista Igor Cadilhac.