Pico de Covid na China durará 2 a 3 meses e atingirá áreas rurais em seguida, diz especialista

Reuters

Publicado 13.01.2023 10:21

Por Bernard Orr e Ellen Zhang

PEQUIM (Reuters) - O pico da onda de Covid-19 na China deve durar de dois a três meses e em breve se espalhará pelo vasto interior do país onde os recursos médicos são relativamente escassos, disse um importante epidemiologista chinês.

A expectativa é que as infecções subam nas áreas rurais à medida que centenas de milhões de pessoas viajam às suas cidades natais para o feriado do Ano Novo Lunar chinês, que começa oficialmente em 21 de janeiro, conhecido antes da pandemia como a maior migração anual de pessoas do mundo.

No mês passado, a China abandonou inesperadamente seu rígido regime de controle do vírus --com lockdowns em massa-- que estimulou protestos históricos em todo o país no final de novembro, e finalmente reabriu suas fronteiras no último domingo.

A revogação abrupta das restrições permite a circulação do vírus entre 1,4 bilhão de pessoas na China, mais de um terço delas vivendo em regiões onde as infecções já passaram do pico, segundo a imprensa estatal.

Mas a pior fase do surto ainda não passou, alertou Zeng Guang, ex-epidemiologista-chefe do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, de acordo com um relatório publicado no veículo de mídia local Caixin na quinta-feira.

"Nosso foco prioritário tem sido as grandes cidades. É hora de nos concentrarmos nas áreas rurais", disse Zeng.

Ele disse que um grande número de pessoas no campo, onde as unidades médicas são relativamente precárias, estão sendo deixadas para trás, incluindo idosos, enfermos e pessoas com deficiência.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também fez um alerta nesta semana para os riscos decorrentes das viagens nos feriados.

A agência da ONU disse que a China está subnotificando fortemente as mortes por Covid-19, embora esteja agora fornecendo mais informações sobre o surto.

Virologistas chineses disseram nesta sexta-feira terem descoberto uma infecção com a subvariante da Ômicron XBB.1.5, que tem sido descrita pelos cientistas da OMS como a mais transmissível até agora, depois da sua rápida disseminação nos Estados Unidos em dezembro. Ainda não há evidências de que ela seja mais grave.