A Insustentável Leveza da Dívida Americana

A Insustentável Leveza da Dívida Americana

Jason Vieira  | 24.07.2019 08:30

O acordo para o adiamento e elevação do teto da dívida americana mascara um evento de proporções homéricas e consequências ainda não medidas por conta da inflação bastante controlada, em meio a um cenário que ainda apresenta crescimento econômico.

Os EUA continuam sendo o lugar mais atraente para se investir e sua dívida soberana continua sendo um safe haven para os investidores, mas com a economia desacelerando, dependem cada vez mais dos estrangeiros para comprar seus bônus e financiar sua dívida.

A vantagem ainda reside em grandes economias globais com juros negativos, mantendo os EUA atraentes.

Segundo o Departamento do Tesouro Americano, o déficit orçamentário teve um salto de 23% entre outubro e o final de junho, adicionando cerca de US$ 750 bi, elevando a relação da dívida para 101% do PIB e de acordo com o IIF, no primeiro trimestre de 2019, a dívida total dos setores público e privado dos Estados Unidos chegou a quase US$ 70 tri.

Um corte de 25 bp na taxa americana significa um carregamento anual do custo da dívida reduzido em US$ 4 bi dos atuais US$ 800 bi, ou seja, não é isso que resolve o problema.

O problema é que o corte de impostos promovido por Trump começa a dar sinais de desgaste e dado o crescimento do déficit, também alimentado pela menor arrecadação, é impossível repetir o uso de tal instrumento.

Eis o problema no qual os EUA estão inseridos. A única esperança reside mesmo no corte de juros.

Localmente, investidores reagem à divulgação por Paulo Guedes da liberação inicial de R$ 500 do FGTS, ampliação do repasse dos ganhos do fundo aos cotistas e saques de parte do fundo no aniversário das contas.

Ainda que limitada, principalmente dada a situação de emprego no Brasil, a liberação veio acompanhada da privatização da BR Distribuidora (SA:BRDT3) e do Novo Mercado de Gás, elementos que no médio prazo são positivos.

Ao COPOM na próxima semana, resta sinalizar o corte de juros em setembro, coincidindo com o corte americano e a reforma da previdência.

Na agenda corporativa, localmente Telefonica (MC:TEF), Santander (SA:SANB11), Pão de Açucar e Weg (SA:WEGE3) e no exterior, Facebook, AT&T, Boeing, PayPal, GlaxoSmithKline, Christian Dior, Caterpillar, Daimler, Tesla (NASDAQ:TSLA), Ford, Canon, Deutsche Börse, Experian (LON:EXPN), Repsol (MC:REP), Peugeot, Azko Nobel, Equifax e Valeo (PA:VLOF).

CENÁRIO POLÍTICO

Ontem foram presos hackers pela Polícia Federal, supostamente envolvidos no roubo de dados de celulares de autoridades, em especial o ministro Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

Não há resultados ainda das prisões, porém caso se mostre verdade, é mais um golpe à oposição combalida que tentava se capitalizar no evento.

ABERTURA DE MERCADOS

A abertura na Europa é sem rumo e os futuros NY abrem em queda, com dados de PMI fracos na Europa.

Na Ásia, o fechamento foi positivo, na expectativa com avanços na guerra comercial.

O dólar opera em queda contra a maioria das divisas, enquanto os Treasuries operam negativos em todos os vencimentos.

Entre as commodities metálicas, altas, destaque à prata.

O petróleo abre sem rumo, mesmo com estoques caindo nos EUA.

O índice VIX de volatilidade abre em alta de 2,85%.

INDICADORES

CÂMBIO

Dólar à vista : R$ 3,7745 / 0,90 %
Euro / Dólar : US$ 1,11 / -0,054%
Dólar / Yen : ¥ 108,04 / -0,176%
Libra / Dólar : US$ 1,25 / 0,297%
Dólar Fut. (1 m) : 3772,97 / 0,95 %

JUROS FUTUROS (DI)

DI - Julho 20: 5,41 % aa (-0,12%)
DI - Janeiro 21: 5,42 % aa (-1,28%)
DI - Janeiro 23: 6,31 % aa (-0,79%)
DI - Janeiro 25: 6,87 % aa (-1,01%)

BOLSAS DE VALORES

FECHAMENTO

Ibovespa: -0,24% / 103.704 pontos
Dow Jones: 0,65% / 27.349 pontos
Nasdaq: 0,58% / 8.251 pontos

Nikkei: 0,41% / 21.710 pontos
Hang Seng: 0,20% / 28.524 pontos
ASX 200: 0,77% / 6.777 pontos

ABERTURA

DAX: 0,321% / 12530,87 pontos
CAC 40: -0,431% / 5593,96 pontos
FTSE: -0,900% / 7488,87 pontos

Ibov. Fut.: -0,17% / 104098,00 pontos
S&P Fut.: -0,299% / 2999,00 pontos
Nasdaq Fut.: -0,529% / 7941,50 pontos

COMMODITIES

Índice Bloomberg: 0,40% / 79,71 ptos

Petróleo WTI: 0,11% / $56,83
Petróleo Brent:-0,03% / $63,81

Ouro: 0,58% / $1.426,00
Minério de Ferro: 0,34% / $120,42

Soja: 0,06% / $15,46
Milho: 0,35% / $428,75
Café: 0,78% / $103,00
Açúcar: -0,50% / $11,92

Jason Vieira

Artigos Relacionados

Últimos comentários

Adicionar comentário
Aguarde um minuto antes de tentar comentar novamente.
leandromr
leandromr

Bom resumo sobre situação fiscal dos EUA. Uma hora vai estourar esta bomba.  ... (Leia Mais)

24.07.2019 13:20 GMT· Responder
Mnldasilva Silva
Mnldasilva Silva

Não entendi o valor dos juros totais e da redução de 25 pp, com os juros americanos ainda baixos, o custo sobre a dívida possivelmente represente algo próximo de USD 500/600 bi./ano, bem abaixo dos 800 previstos e a redução de 25 pp algo próximo USD 40/50 bi, porém gostaria de entender como é realizado esse cálculo.  ... (Leia Mais)

24.07.2019 13:05 GMT· Responder
Discussão
Escrever uma resposta...
Aguarde um minuto antes de tentar comentar novamente.

Negociar instrumentos financeiros e/ou criptomoedas envolve riscos elevados, inclusive o risco de perder parte ou todo o valor do investimento, e pode não ser algo indicado e apropriado a todos os investidores. Os preços das criptomoedas são extremamente voláteis e podem ser afetados por fatores externos, como eventos financeiros, regulatórios ou políticos. Negociar com margem aumenta os riscos financeiros.
Antes de decidir operar e negociar instrumentos financeiros ou criptomoedas, você deve se informar completamente sobre os riscos e custos associados a operações e negociações nos mercados financeiros, considerar cuidadosamente seus objetivos de investimento, nível de experiência e apetite de risco; além disso, recomenda-se procurar orientação e conselhos profissionais quando necessário.
A Fusion Media gostaria de lembrar que os dados contidos neste site não são necessariamente precisos ou atualizados em tempo real. Os dados e preços disponíveis no site não são necessariamente fornecidos por qualquer mercado ou bolsa de valores, mas sim por market makers e, por isso, os preços podem não ser exatos e podem diferir dos preços reais em qualquer mercado, o que significa que são inapropriados para fins de uso em negociações e operações financeiras. A Fusion Media e quaisquer outros colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo não são responsáveis por quaisquer perdas e danos financeiros ou em negociações sofridas como resultado da utilização das informações contidas neste site.
É proibido utilizar, armazenar, reproduzir, exibir, modificar, transmitir ou distribuir os dados contidos neste site sem permissão explícita prévia por escrito da Fusion Media e/ou de colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo. Todos os direitos de propriedade intelectual são reservados aos colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo e/ou bolsas de valores que fornecem os dados contidos neste site.
A Fusion Media pode ser compensada pelos anunciantes que aparecem no site com base na interação dos usuários do site com os anúncios publicitários ou entidades anunciantes.

English (USA) English (UK) English (India) English (Canada) English (Australia) English (South Africa) English (Philippines) English (Nigeria) Deutsch Español (España) Español (México) Français Italiano Nederlands Português (Portugal) Polski Русский Türkçe ‏العربية‏ Ελληνικά Svenska Suomi עברית 日本語 한국어 简体中文 繁體中文 Bahasa Indonesia Bahasa Melayu ไทย Tiếng Việt हिंदी
Sair
Tem certeza de que deseja sair?
NãoSim
CancelarSim
Salvando Alterações

+

Baixe o aplicativo do Investing.com

Receba gratuitamente cotações, gráficos e alertas em tempo real sobre ações, índices, moedas, commodities e títulos. Acesse gratuitamente as melhores análises e previsões técnicas.

Investing.com é melhor no App!

Mais conteúdo, cotações e gráficos mais rápidos e uma experiência melhor estão disponíveis apenas no aplicativo.