CDI x Ibovespa: Qual é o Melhor Retorno?

CDI x Ibovespa: Qual é o Melhor Retorno?

Eduardo Guimarães  | 12.02.2019 09:05

Durante a semana voltaram as discussões no Twitter sobre qual é o melhor retorno dos investimentos: renda fixa ou bolsa de valores? Taxa de juros (CDI) ou renda variável (ações)? Do lado das ações o gestor do fundo Alaska, Henrique Bredda e, do lado do CDI, Samy Dana, professor da FGV. Foram apresentados dados do passado em períodos diferentes.

De que lado eu estou?

Um grande amigo meu, Zé Márcio, perguntou para mim qual era a minha posição sobre essa discussão. Minha resposta: essa discussão não faz o menor sentido. Na minha opinião todo portfólio de investimentos deveria deve ter as duas classes de ativos. A participação de cada ativo na carteira de investimentos depende do perfil de cada investidor.

Final de semana na praia ou na montanha?

Escolher entre renda fixa (CDI) e renda variável (ações) tem a mesma utilidade do que escolher qual o destino preferido no final de semana: praia ou montanha, ou escolher a bebida preferida: fermentada (vinho ou cerveja) ou destilada (uísque, gin). Conclusão: uma coisa não exclui a outra, portanto, escolha as duas alternativas.

Rentabilidade passada não é garantia de futuro

Esse é o disclaimer (aviso) clássico sobre fundos de investimento, pois o passado não pode ser usado como garantia no futuro. A taxa de juros já foi muito alta no Brasil, com CDI de 26% ao ano num passado não muito distante, e não deve mais ser usada como parâmetro.

Fim da cultura do CDI

O fim da cultura do CDI quer dizer que as aplicações financeiras tradicionais em juros pós-fixados (CDI) agora rendem muito menos do que antes: apenas 0,53% ao mês (taxa Selic de 6,5% ao ano), comparado à 1% ao mês de antigamente. A conclusão é: quer ganhar mais, corra mais risco.

Daqui pra frente, tudo será diferente

No Brasil o rendimento das aplicações financeiras sempre foi analisado em relação ao benchmark, ou base de comparação, que sempre foi a taxa de juros (CDI). Acredito que a tendência é que o investidor brasileiro comece a pensar no retorno do seu portfólio de investimentos em termos absolutos ou em termos reais (descontada a inflação).

Meta de rentabilidade da carteira

Para escolher o perfil da carteira de investimentos é preciso saber o grau de risco que o investidor está disposto a correr nas suas aplicações financeiras. Segundo a moderna teoria de finanças, não existe alto retorno com risco baixo. Assim, para aumentar o nível de retorno de um portfólio, é preciso sempre também aumentar o risco.

Comparação que faz sentido

Na minha opinião a comparação que deve ser feita entre o Ibovespa (ações) e taxa de juros (CDI) é a relação risco e retorno, ou seja, não somente o retorno no período, mas também a sua volatilidade. A volatilidade do retorno é uma medida de dispersão de retorno que analisa o grau de risco.

O CDI obteve retorno de 6,4% em 2018, com volatilidade de apenas 0,01%. O que isto quer dizer? Significa que na média o retorno em CDI ficou de 6,39% a 6,41% em 2018.

O Ibovespa obteve retorno de 15,03% em 2018, com desvio padrão (volatilidade) de 22,18% ao ano. O intervalo de retornos do Ibovespa é bem mais largo: -7,13% a 37,21%, ou seja, no pior cenário um resultado negativo de 7,13% e no melhor cenário um ganho de 37,21%.

Diversificação de risco

O mais importante num portfólio de investimentos é a diversificação: não colocar todos os ovos na mesma cesta e escolher os melhores ativos dentro da sua classe.

No futebol o CDI seria o goleiro e a defesa que protegem o seu patrimônio e a sua reserva de liquidez no curto prazo. No extremo oposto a carteira de ações seria a dupla de ataque (Romário e Ronaldo) que busca muitos altos expressos em alto rendimento. Porém, um time de futebol não vive sem o meio de campo que conecta a defesa ao ataque.

Todo investidor precisa escolher a participação de cada classe de ativos na sua carteira de investimentos divididos em sete classes: taxa de juros pós-fixadas (CDI), renda fixa Tesouro Direto (IPCA+ e pré-fixado), fundos multimercados, fundos imobiliários, ações, dólar e opções.

Quanto as ações devem representar do patrimônio?

A participação de ações numa carteira de investimento deve ficar entre 5% e 40%, 5% para os conservadores e 40% no máximo para o investidor que gosta bastante de risco.

Eduardo Guimarães

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Adamastor Vaz
Adamastor Vaz

Ótimo texto, parabéns!  ... (Leia Mais)

17.02.2019 11:41 GMT· Responder
rosamar moura
rosamar moura

Estou estudando para conhecer essas aplicações e quero iniciar um investimento.  ... (Leia Mais)

12.02.2019 15:04 GMT· Responder
Marlon Fonseca
Marlon Fonseca

preciso e que meu fundo do Alaska Melhore seu desempenho,no mês estamos negativo..  ... (Leia Mais)

12.02.2019 14:24 GMT· Responder
Marlon Fonseca
Marlon Fonseca

preciso e que meu fundo do Alaska Melhore seu desempenho,no mês estamos negativo..  ... (Leia Mais)

12.02.2019 14:24 GMT· Responder
Big Boss
Big Boss

Parabéns pelo texto!  ... (Leia Mais)

12.02.2019 14:14 GMT· Responder
Danilo Ferreira
Danilo Ferreira

Boa leitura, simples e bem didática.   ... (Leia Mais)

12.02.2019 13:56 GMT· Responder
Paulo Barros
Paulo Barros

uma carteira com um portfólio bem diversificado tem o melhor retorno esperado para perfis moderados, uma carteira arrojada acumula perdas ao longo do tempo, fazendo correr mais riscos, podendo perder muito mais.   ... (Leia Mais)

12.02.2019 13:48 GMT· Responder
Paulo Barros
Paulo Barros

uma carteira com um portfólio bem diversificado tem o melhor retorno esperado para perfis moderados, uma carteira arrojada acumula perdas ao longo do tempo, fazendo correr mais riscos, podendo perder muito mais.   ... (Leia Mais)

12.02.2019 13:48 GMT· Responder
Richard William
Richard William

Perda fixa , ja dizia um velinho do mercado financeiro .   ... (Leia Mais)

12.02.2019 13:31 GMT· Responder
Filipe Telles
Filipe Telles

gostei do artigo... valeu a leitura  ... (Leia Mais)

12.02.2019 13:29 GMT· Responder
Jonatas Tetzner
Jonatas Tetzner

sinceramente acho que com a prática do buy and hold em boas empresas que sempre tendem a ter maiores ganhos comparado às percas é possível por mais de 50% do total a ser investido (dependendo da sua realidade) ( boas empresas como o Itaú por exemplo foi e vai continuar crescendo pois uma boa empresa nunca vai quebrar do nada, e se vier uma crise como já veio, essas empresas sempre vão superar, ou seja é o risco da renda fixa com os lucros da renda variável, dois grandes exemplos de investidores com 100% em renda variável são o pit money e o canal do holder   ... (Leia Mais)

12.02.2019 13:29 GMT· Responder
Jonatas Tetzner
Jonatas Tetzner

sinceramente acho que com a prática do buy and hold em boas empresas que sempre tendem a ter maiores ganhos comparado às percas é possível por mais de 50% do total a ser investido (dependendo da sua realidade) ( boas empresas como o Itaú por exemplo foi e vai continuar crescendo pois uma boa empresa nunca vai quebrar do nada, e se vier uma crise como já veio, essas empresas sempre vão superar, ou seja é o risco da renda fixa com os lucros da renda variável, dois grandes exemplos de investidores com 100% em renda variável são o pit money e o canal do holder   ... (Leia Mais)

12.02.2019 13:29 GMT· Responder
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