Dólar: a Resistência do Preço Local Ante Viés de Baixa no Mercado Internacional!

Dólar: a Resistência do Preço Local Ante Viés de Baixa no Mercado Internacional!

Sidnei Nehme  | 22.10.2020 07:04

O dólar tem sustentado preço mesmo quando o ambiente internacional indica depreciação da moeda americana ante a cesta de moedas das economias desenvolvidas, e, também, das demais emergentes.

Este preço absolutamente tóxico para a economia brasileira dada a sua capacidade de repercussão nos preços e desorganização da relativização entre os mesmos, tem um consistente conteúdo de viés altista, pois resiste à tendência do comportamento da moeda americana no mercado internacional, muito sensível neste momento ao vai e vem das tratativas no Congresso americano no entorno do novo programa governamental focado na reabilitação dos danos ainda presentes na economia americana consequentes da pandemia do coronavírus.

A Bovespa, por sua vez, busca “fôlego” na perspectiva de aumento da liquidez internacional que pode advir do novo programa americano se for efetivado, embora saiba que é gás curto para suas perspectivas já que os recursos estrangeiros continuam não sinalizando atratividade pelo país, e desta forma enseja movimentos fortes de operações de “day trade”, mas deixam receosos os projetos de novos IPO´s.

Como temos enfaticamente pontuado o Brasil, o seu governo federal, enfrenta neste momento um inquietante dilema, um “corner” mesmo, pois carrega uma expressiva crise fiscal que circunda o limite do rompimento do teto orçamentário na concomitância de ter que dar sustentação e continuidade aos programas assistenciais sociais à população carente.

A economia brasileira tem gerado discretos sinais de recuperação, por vezes maximizados em suas propagações, mas embora até recentemente não se admitisse a dura realidade, ganha transparência que grande parte decorre do fluxo de renda gerado pelos programas assistenciais, em especial nas regiões do norte e nordeste, mas também relevantes nas demais áreas.

Há setores como o agronegócio e a construção civil que têm sido bandeiras de sustentação da recuperação e assim disseminado em destaque, contudo, o agronegócio foi expressivamente favorecido por dois fatores: a taxa cambial induzida para ser alta pelo governo e a demanda internacional sustentando preço ao longo da pandemia, enquanto que, a construção civil é a “nova poupança” da classe média que, insegura quanto a reserva de valor dos ativos financeiros, migra para o tradicional “tijolo e cimento” como postura defensiva.

No mais na medida em que se acentuem as dúvidas e incertezas em torno das perspectivas face ao “corner” em que o governo está envolvido, o “porto seguro” para empresas e pessoas físicas mais elitizadas é o dólar, com a formação de posições defensivas no mercado de câmbio futuro.

Lamentavelmente, afora o agronegócio, a política de “câmbio alto e juro baixo” se revela propagadora de intensos malefícios a economia nacional, provocando o retorno da indesejável inflação a partir dos produtos alimentares exportáveis que atinge a todos os brasileiros, e desorganizando de forma intensa os índices aferidos de inflação e que acentuam ainda mais a contração da capacidade de consumo da população.

No mercado de câmbio à vista não há pressões, o que sugere não houvesse sustentação para o preço ante movimento depreciativo da moeda americana no mercado internacional, mas é a utilização do mercado futuro de dólar para “hedge para insegurança” que dá suporte ao preço atual e pode até conduzi-lo a patamar mais elevado se o comportamento externo da moeda americana se alterar.

O fluxo cambial até o dia 18 último está negativo em US$ 1,056 Bi, sendo positivo no comercial em US$ 107,0 M e negativo no financeiro em US$ 1,163 Bi.

Considerando os amplos malefícios que esta taxa tóxica provoca em cadeia na economia como um todo, temos apontado a necessidade do BC agir preventivamente ofertando swaps cambiais novos para quebrar a propensão a alta em perspectiva.

Sidnei Nehme

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Luciano Machado
Luciano Machado

Sidnei a economia ta aquecida material de construção faltando carros certos modelos so para entrega em 90 dias as lojas cheias acho que pega tração e vai até março inflação de 0.93 e a prova da lei da oferta e procura.O comércio vai entrar em janeiro sem estoque e vai faltar produtos no Natal Magazine Luiza Casas Bahia faltando vários tipos de eletrodomésticos.  ... (Leia Mais)

23.10.2020 21:58 GMT· 1 · Responder
Hermano Alves
Hermano Alves

Porque o pais continua gastando mais que arrecada se endividando ainda mais e os politicos nao querem cortar na carne e nao aorovam as reformas politica tributaria e administrativa para diminuir o tamanho elefante do estado cheio de privilegios e mordomias no setor publico, e milhoes de brasileiros sofrem desmoregados que nehum empresario vai investir aqui sem garantia que tera seu investimento de volta.  ... (Leia Mais)

22.10.2020 16:54 GMT· Responder
Ottorino Cetti
Ottorino Cetti

A volatilidade na taxa de câmbio brasileira permanecerá alta no quarto trimestre, e o real deverá se desvalorizar e ter desempenho pior que seus pares até o fim do ano, afetado por persistentes incertezas fiscais e pelo ruído a ser gerado pelas eleições norte-americanas, avaliaram analistas do Barclays (LON:BARC) em relatório nesta quarta-feira. Com investidores dando de ombros para a sinalização do BC de que não elevará a Selic, o Barclays entende que o mercado vai manter nos preços expectativas de aumentos de juros já no início de 2021.  ... (Leia Mais)

22.10.2020 16:51 GMT· 1 · Responder
Ottorino Cetti
Ottorino Cetti

O real deverá se desvalorizar e ter desempenho pior que seus pares até o fim do ano, afetado por persistentes incertezas fiscais e pelo ruído a ser gerado pelas eleições norte-americanas, avaliaram analistas do Barclays (LON:BARC)  Os profissionais recomendam a venda de uma cesta de moedas composta por real e peso chileno contra o peso mexicano. O real é a moeda mais volátil do mundo, considerando as principais divisas, e em 2020 cai 27,9%, em termos nominais --pior desempenho global.   a agenda política serà mais influenciada com preocupações perr sustentabilidade da dívida, limite de gastos, etc provavelmente ressurjam", disseram os analistas, que seguem posicionados em uma estrutura de opção (long USDBRL 1x2 call spread) para proteção contra riscos fiscais de curto prazo e riscos globais. Avaliaram ainda que os agentes de mercado deverão "ignorar" o "forward guidance" do Banco Central --ferramenta de política monetária que pretende influenciar as expectativas do mercado via comunicação.  ... (Leia Mais)

22.10.2020 16:50 GMT· Responder
Paulo mendonça
Paulo mendonça

Aqui é o País do quanto pior, melhor! Especulação no dólar já mostrou que, mesmo para exportadoras, as empresas quebram. É só lembrar da SADIA. Portanto, apostar contra ou a favor do dólar dá muita grana para corretoras e as sardinhas pensam que entendem de alguma coisa e ficam brincando com isso. Puro vício de quem não consegue ficar sem o vício. Na B3 existem muitas possibilidades de ganhos sem o estresse que é operar dólar. Paciência e caldo de galinha, dizem, não fazem mal a ninguém.  ... (Leia Mais)

22.10.2020 16:35 GMT· Responder
Paulo Alvim Borges
Paulo Alvim Borges

Para mim usou a palavra toxico acabou a credibilidade. um caminhao de criticas sem nem ao menos comparar com a contrapartida de reverter a situação pela tática igualmente "tóxica" de manter investimentos especulativo e inútil no Brasil via dólar estrangeiro financiando a divida publica brasileira quando juros estava alto. Enfim critica um lado sem nem menos analisar o outro.   ... (Leia Mais)

22.10.2020 16:22 GMT· Responder
Jerferson Nunes
Jerferson Nunes

Juros alto é bom pra uma pequena fatia do nosso povo. A grande massa precisa de juros baixo, o brasil precisa de novos negocios. Se fosse facil ter bons juros e cambio, estariamos no mundo perfeito. A pergunta é, mantem o juros baixo favorecendo a grande massa brasileira ou o BC "segura" o dollar para a pequena fatia já com boas condicoes em relacao a grande massa?  ... (Leia Mais)

22.10.2020 16:15 GMT· 1 · Responder
Sidnei Horst
Sidnei Horst

Tem gente aqui que confunde as coisas, independente de viés politico, o Min da Economia e o Pres Do BC, são incompetentes e lentos nas decisões e medidas, ex o efeito do dolar alto na cadei produtiva esta impactando o soja, milho e na cadeia alimentar matando as classes mais baixas. O soja abriram pra importar agora sem Imp de Importacao, ou seja too late, os contratos ja estao fechados para o ano e se tiver algum efeito sera somente no ano que vem, mesma coisa o arroz , e depois vem o efeito devastador da inflacao, os dois irao aguardar o descontrole pra agir, da mesma forma as reformas, que sempre demoram eternamente.... ou seja, sao lentos, descompromissados, e lhes falta a visao do todo.... lamentavel termos gente deste porte num pais como o nosso, dessa forma o progresso nao chegara nunca!  ... (Leia Mais)

22.10.2020 16:14 GMT· Responder
José Artur Medina
José Artur Medina

Impressionante como os progressistas são gado, nenhum genocídio, corrupção, infanticídio ou queima de templos lhes toca o coração. Chamam o Bozo de genocida, muito embora os verdadeiros genocidas são seus representantes históricos.  ... (Leia Mais)

22.10.2020 16:04 GMT· Responder
Matemática Patos
Matemática Patos

o principal motivo é o presidente cloroquina. o restante são ministros incompetentes, desonestos e bandidos.  ... (Leia Mais)

22.10.2020 16:01 GMT· Responder
Fabio Piloto
Fabio Piloto

O autor fala dos estímulos federais como se todo esse dinheiro injetado na economia se evaporace até o final de 2020. Na verdade ele está circulando na economia real e assim continuará, basta sair à rua, por exemplo em SP, e terá a impressão que nunca ouve recessão tamamho movimento de cargas e pessoas comprando.  ... (Leia Mais)

22.10.2020 15:41 GMT· 1 · Responder
Andre Bomilcar
Andre Bomilcar

correto  ... (Leia Mais)

22.10.2020 13:26 GMT· Responder
Ronaldo Almeida
Ronaldo Almeida

Excelente e abrangente esta análise!  ... (Leia Mais)

22.10.2020 11:41 GMT· Responder
Vanessa Blum
Vanessa Blum

Sempre as melhores analises da economia! Realmente preciso e claro! Parabens   ... (Leia Mais)

22.10.2020 11:13 GMT· Responder
José Artur Medina
José Artur Medina

Muito bom artigo, entretanto não considera que o Brasil é uma fazenda. De forma que o pessimismo do autor não se justifica. Acredito que a construção será, está sendo, o carro chefe da recuperação. Os empregos estão retornando. As mineradoras também estão explodindo. Ademais está havendo reindustrializacao assim como melhoras na educação, depois de um longo e tenebroso inverno.   ... (Leia Mais)

22.10.2020 10:38 GMT· 2 · Responder
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