Semana Terá Liberação do FGTS, IPCA-15, Contas Externas e Temporada de Balanços

Semana Terá Liberação do FGTS, IPCA-15, Contas Externas e Temporada de Balanços

Angelo Pavini  | 22.07.2019 09:24

A semana nos mercados financeiros terá uma trégua pelo recesso do Congresso, o que deve diminuir a relevância do cenário político, a menos que o presidente Jair Bolsonaro consiga levantar novas polêmicas, como fez no fim da semana passada com declarações sobre nordestinos, multa do FGTS e ausência de fome no Brasil.

O assunto principal deve ser a liberação de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores para tentar reativar a economia, que segue fraca, apesar da aprovação da reforma da Previdência na Câmara em primeiro turno e a expectativa de aprovação em segundo turno na retomada dos trabalhos em agosto.

Guedes discute medidas com equipe, Bolsonaro e Onyx

O ministro da Economia, Paulo Guedes, se reúne nesta segunda-feira com toda a equipe de secretários e a medida deve ser o ponto principal da reunião. Depois, Guedes se encontra com o presidente Bolsonaro às 15 horas e, às 17, com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni para discutir o anúncio da proposta.

A injeção de recursos na economia, prevista em R$ 42 bilhões, caiu para R$ 30 bilhões, depois da pressão do setor de construção, que também utiliza os recursos do FGTS. Além disso, o anúncio da medida, previsto para a semana passada, foi adiado para esta semana. Cortar verbas para projetos de casas populares teria impacto inverso ao desejado pelo governo, pois destruiria empregos e investimentos. Mas uma liberação mais modesta pode ajudar a economia e os trabalhadores, que poderão usar o dinheiro para investir em coisa melhor que os 3,25% ao ano pagos pelo FGTS por seu dinheiro.

IPCA-15 deve reforçar expectativa de corte nos juros

Além disso, na terça-feira, sai um indicador importante de inflação, o IPCA-15 de julho, do IBGE, que serve de prévia para o IPCA, usado pelo Banco Central (BC) em suas metas. Segundo o Banco Fator, o IPCA-15 deste mês deve vir um pouco mais alto, 0,11%, do que o de junho, que subiu 0,06%. O número em 12 meses deve ficar em 3,29%, o que deve reforçar as expectativas de redução dos juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 30 e 31 de julho. Hoje, a Selic está em 6,5% ao ano, e há estimativas de corte até 5% ao ano.

Emergentes cortam juros

A tendência de corte dos juros não é só local, acompanhando os sinais de desaceleração mundial e de redução das taxas nos países desenvolvidos. Nos países emergentes o efeito é o mesmo. Na semana passada, os bancos centrais da África do Sul, Coreia do Sul, e Indonésia reduziram suas taxas básicas de juros, lembra o Fator, que espera queda de 0,25 ponto na Selic na reunião do Copom do dia 31 de julho.

Setor externo, crédito e construção civil

Na quinta-feira, o BC solta também os dados do setor externo, que devem continuar apresentando bons resultados, com déficit de contas correntes baixo, US$ 2,398 bilhões na estimativa do Fator. Na sexta, saem os dados de crédito do sistema financeiro, que podem mostrar algum pequeno aumento. também na sexta a Fundação Getulio Vargas divulga o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) de julho, que faz parte do IGP-M e é usado na correção dos contratos de compra de imóveis na planta. O Fator estima aceleração do INCC, de 0,44% em junho para 0,83% em julho.

BCE deve manter negativa taxa de juros para depósitos

No exterior, os principais eventos serão a reunião do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, e a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre, na sexta-feira.

O BCE mantém desde o início de 2016 a sua taxa básica de juros para operações de refinanciamento em zero e a taxa de depósitos (deposit facility) negativa em -0,4%. Segundo o Fator, em linha gerais, o banco não cobra por crédito, mas cobra por depósitos, estratégia claramente voltada para manter alta a liquidez no mercado.
Além destas taxas básicas de juros, o BCE possui uma política de crédito direcionado de longo prazo, fornecendo recursos mais baratos por quatro anos para bancos, se destinados a empréstimos ao setor não financeiro. Na reunião de política monetária de junho, o BCE definiu que os juros para estas operações, a nova TLTRO (III), devem ser 0,10% acima da taxa das MRO (hoje em 0,00%).

Linhas de estímulo

O banco também manteve o reinvestimento dos vencimentos dos ativos do Quantitative Easing (QE, programa de linhas de estímulo ao mercado). O programa deve permanecer pelo tempo necessário para manter condições de liquidez favoráveis e um amplo grau de acomodação monetária. Mas a expectativa de retomada do QE continua na mesa, observa o Fator.

O banco observa que o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, sai em 31 de outubro, o que pode causar necessidade de ajustes no “timing” de ação. O calendário dificulta mudanças graves na postura do banco em meio à desaceleração da economia e da inflação, mas a expectativa é que sua sucessora, Christine Lagarde, ex-diretora-gerente do FMI, siga o plano de acomodação monetária.

PIB dos EUA

Nos EUA, a expectativa é com o PIB do segundo trimestre, que pode indicar se o Federal Reserve (Fed, banco central americano) tem motivos para cortar mesmo a taxa de juros na reunião dos dias 30 e 31 deste mês em 0,25%, como já indicaram alguns diretores da instituição. Saem também dados de consumo pessoal e o deflator da inflação do consumo pessoal, o PCE, que é usado pelo Fed para acompanhar o comportamento dos preços e definir sua política de juros.

Caged e arrecadação

Sem data definida, saem os dados de arrecadação federal e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ambos de junho.

Temporada de balanços

Nesta semana, começa para valer a temporada de balanços do segundo trimestre, com Bradesco (SA:BBDC4), Ambev (SA:ABEV3), Santander (SA:SANB11), Usiminas (SA:USIM5), Pão de Açúcar (SA:PCAR4) e Telefônica Brasil (SA:VIVT4) anunciando seus resultados.

Na segunda-feira, a Provarma deve divulgar seus dados após o fechamento.

Na terça-feira, Elektro divulga seus dados sem horário previsto. Santander anuncia o balanço antes da abertura. Já Coelba (SA:CEEB3), Cielo (SA:CIEL3), Cosern (SA:CSRN3), Indústrias Romi (SA:ROMI3) e NeoEnergia soltam os dados depois do fechamento.

Na quarta-feira, saem os resultados de Atompar e Engie (SA:EGIE3), sem horário previsto, Telefônica do Brasil e WEG (SA:WEGE3) antes da abertura e Carrefour (SA:CRFB3), Energias do Brasil e Pão de Açúcar após o fechamento.

Na quinta, Ecorodovias (SA:ECOR3) anuncia os dados sem horário previsto. Bradesco e Ambev divulgam os números antes da abertura e Minerva (SA:BEEF3) e Fleury (SA:FLRY3), depois do fechamento.

Na sexta, será a vez de Enel (MI:ENEI) Ceará/Coelce e Grazziotin (SA:CGRA3) anunciarem seus números, sem horário definido. Usiminas solta os dados antes da abertura e Copasa (SA:CSMG3) e Hypera (SA:HYPE3), depois do fechamento.

Perspectiva para os mercados

Na próxima semana, os investidores externos ficarão ligados nas movimentações e expectativas com relação ao posicionamento dos principais bancos centrais do mundo no que tange a mudanças na política monetária, afirma Álvaro Bandeira, economista-chefe do Banco Digital ModalMais. No Fed, haverá aquele período de silêncio que antecede a reunião de 31 de julho, mesmo dia da reunião do Copom.

Além disso, os investidores terão que avaliar as tensões entre os EUA e o Irã e como evoluem as negociações entre EUA e a China sobre comércio tarifação e propriedade intelectual. Correndo por fora está o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, e a indicação do novo primeiro ministro britânico, que pode ser o polêmico Boris Johnson, que defende a saída forçada do país do acordo. Bandeira acredita que ele poderá ganhar, mas será “blindado” pelo Parlamento de não forçar a saída sem acordo com a União Europeia.

Apesar dessas complicações, Bandeira acredita em cenário mais positivo no plano internacional. Para ele, está claro que o Fed irá reduzir juros pelo menos duas vezes ainda nesse ano. E o presidente Donald Trump segue fazendo carga sobre o Fed, dizendo ter “pensamento defeituosos sobre juros”. O Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ) devem trilhar o mesmo caminho de flexibilizar suas políticas monetárias.

O Índice Bovespa encerrou a semana em queda, de 1,21% na sexta-feira, aos 103.452 pontos, acumulando perda de 0,44% na semana, mas ainda com ganhos de 2,46% no mês e 17,71% no ano.

Angelo Pavini

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